quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

DOMINGO Á NOITE - PARTE III


Faz-se silêncio e todos apressam-se a sentar. Os telefones recomeçam a tocar e há já alguém que os atende.

Não a Alice que, descarada, fica parada em frente do Director à espera que este fale.

O Director está acompanhado por um senhor franzino, com ar de doente que se apoia numa bengala e dois homens mais novos que se depreende serem da Polícia.

" Ah, Alice, este Senhor é o marido da Fátima e estes são o Sargento Jaime Peres e o Detective Gonçalo Luis. " apresenta-os à recepcionista que os cumprimenta com um sorriso e um aperto de mão.

"  Estes Senhores têm umas perguntas a fazer sobre a Dra Fátima. Como a Alice, a Dra Vera e a Engenheira Ana são as pessoas que lidam mais com ela, não se importam de os ajudarem? " diz e virando-se para os dois polícias, acrescenta " A Alice leva-os para a Sala de Reunião e podem conversar lá à vontade."

Alice assim faz enquanto o Director acompanha o marido da Fátima até ao elevador.

Aquele Senhor franzino e doente era o marido prepotente? Prepotente era a Fátima, pensam as duas colegas, sem se atreverem a expressar isso em palavras.

Meia hora depois, aparece a Alice e anuncia alto: 

" Querem falar contigo agora, Vera." e, baixinho, confessa: " Eu contei-lhes sobre o affair!"

" Oh, Alice." recrimina a Vera " Não temos a certeza disso."

" Mas não faz mal dizer." atalha a Ana " Pode ter importância para o caso."

CONTINUA 

domingo, 14 de janeiro de 2018

DOMINGO Á NOITE - PARTE II


No dia seguinte, Vera atrasa-se um pouco e está já preocupada com a boca que vai ouvir.

Mas, quando entra no escritório, está uma grande confusão.

Os telefones tocam sem parar e todos falam alto, altamente excitados. 

" O que se passa? " pergunta Vera e a Alice, a recepcionista pergunta-lhe:

" Ninguém te disse? Ninguém te telefonou? " e quando Vera abana a cabeça, continua, deliciada:

" A Fátima foi dada como desaparecida."

Vera olha-a incrédula. A Fátima, a quem a recente promoção subiu à cabeça e está a fazer a vida negra aos colegas?

" Não.... Estás a gozar comigo??? " repete, mas a Ana, que trabalha no gabinete ao lado, confirma:

" O marido está agora reunido com o Chefe. Veio acompanhado por um Inspector e um Sargento. Ao que parece, disse-me a Eugenia que ouviu antes de fechar a porta da sala de reuniões, ela saiu daqui na 6ª Feira e não foi para casa. Se calhar, fugiu com o dito cujo." sugere.

" Não tens a certeza disso!" corta a Vera.

" Pois não.... Mas é provável..." concorda a Alice. " Se me perguntarem, eu digo."

" Vais dizer o quê? Que achamos que ela está a ter um caso e que fugiram os dois?" comenta Vera. " Não será melhor atendermos o telefone? Devem pensar que estamos em greve!" 

Nesse momento, a porta abre-se e o Director do Serviço aparece.

CONTINUA


quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

DOMINGO À NOITE


" Ah, quem me dera que não tivesse que trabalhar amanhã..." lamenta-se Vera.

Vasco não responde. Está tranquilo, confortável e quer gozar o momento, saboreando o vinho e o calor do fim da tarde.

Mas Vera repete a ladainha e Vasco suspira. 

" Já te disse o que penso sobre o assunto. Faz qualquer coisa, mas deixa de te lamentar." e sai da sala, sem saber o que enfurecia mais.

Os queixumes ou a incapacidade em resolver o assunto. Ou seja, uma alternativa.

Vera também suspira. 

Ele tem toda a razão; devia tomar uma providência e está sempre a adiar uma decisão que só ela pode tomar.

" As coisas talvez melhorem amanhã." convence-se, mas está consciente de que diz isto há muito tempo.


CONTINUA






domingo, 7 de janeiro de 2018

LEANDRO E NATAL - O FIM


Leandro dorme até tarde e resolve preparar um " brunch " com o que sobrou da ceia de Natal.

Está  a acabar quando o telemóvel toca. É da Brigada Anti-Fraude, o Inspector Dantas, será que o colega pode passar por lá?

" Alguma coisa grave? " pergunta Leandro e o colega afirma estar relacionado com o caso que está a investigar.

Curioso, Leandro arruma tudo e, em menos de uma hora, está sentado em frente ao Inspector Dantas que folheia um dossier volumoso.

Dantes não deve ter mais de quarenta anos e nota-se que está nervoso. Diz a Leandro que foi promovido há pouco e está ainda a ambientar-se.

" O Sargento Meireles falou-me do seu interesse no Bando que se intitula os " Poderosos". Sabemos que a base deles é em Vilar dos Tristes e um dos seus negócios é o jogo ilegal. Creio que o colega pensa que esse tal Zé do Laço trabalhou para eles? "

" Enquadra-se no que ele fazia. Fraudes com cheques, apostas, etc. Estive com ele há algum tempo, precisamente em Vilar dos Tristes, mas não o pressionei, porque não era relevante para o caso que estava a investigar na altura." responde Leandro.

" Compreendo. Tenho que lhe confessar: temos um homem infiltrado no Bando e foi através do Zé do Laço que conseguimos que ele entrasse no esquema. Infelizmente, foi descoberto e pensamos que mataram o Zé do Laço como aviso." confessa Dantas.

" Atirar com um carro contra uma esquadra de polícia é isso mesmo: um aviso." comenta Leandro, secamente.

Dantas fica um pouco embaraçado, mas Leandro ignora-o.

" O que aconteceu com o vosso homem? " exige saber o inspector.

" Conseguimos tirá-lo de lá...."

" Mas não evitaram a morte do Zé do Laço.  Vou querer falar com o vosso homem, porque isto vai ser uma investigação conjunta." decide Leandro, mas Dantas não o contradiz.

Afinal, Leandro é o inspector mais antigo.

Ao sair do gabinete de Dantas, Leandro já está a marcar o número de telemóvel do Bernardes.

" Lamento interromper as férias, Bernardes, mas preciso de ti e da tua organização." é o que pensa enquanto espera que o sargento lhe responda.



FIM

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

LEANDRO E O NATAL - PARTE V


O Sargento Antunes interrompe-o:

" O Inspector tem a certeza de que este Zé do Laço esteve em Vilar dos Tristes? É que ninguém se lembra de ninguém com este nome e não têm recebido qualquer queixa de fraudes. Neste momento, o grande problema deles é o jogo ilegal."

 " Mas ele também pode estar metido." comenta Leandro " Tenho que esperar pelos documentos da Brigada Anti-Fraude."

O Alcides entra nessa altura com novas informações sobre o carro.

" O Inspector tinha razão. Este carro foi roubado em Vilar dos Tristes e pertencia a um José... " consulta as notas " Manuel Vicente que também desapareceu. "

" Isto confirma a minha teoria de que o Zé do Laço esteve em Vilar dos Tristes. " murmura Leandro " O que se passou lá, o que poderá ter contribuido para a sua morte e ainda por cima, atirar o carro para dentro de uma esquadra... é o que temos que descobrir." anuncia aos dois subordinados.

" Não agora! " contraria o Sargento Meireles " O turno da manhã vai entrar agora às 08h00. Passamos o assunto?" sugere, mas Leandro abana a cabeça.

" Não, não. Eu aviso o Comandante de que vou seguir este caso. Vocês podem sair; deixem toda a informação disponível na minha secretária. Volto esta tarde." e saí.

Já estão a colocar uma porta provisória e alguém varreu os vidros.

CONTINUA

  

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

LEANDRO E O NATAL - PARTE IV


" Sargento Antunes, é melhor contactar a esquadra de Vilar dos Tristes." pede Leandro ao Sargento " Sei que ele passou lá uns tempos... Quero saber tudo... Eu sei que é Natal... " atalha quando o Sargento protesta " Mas alguém está lá e pode dar-nos informações."

Alcides pergunta: " Ele trabalhava para algum gangue? " mas Leandro não responde.

Está preocupado com a situação: matarem um " zé - ninguém " como o Zé do Laço não é bom sinal.

" Alguém está a preparar alguma coisa e é grave." pensa " Tenho que falar com a Brigada Anti-Fraude. Quem está de serviço?" e alto, diz:

" Liguem à Brigada Anti-Fraude.  Eu falo com quem atender." e fecha-se no gabinete.

Uns segundos depois, o telefone toca. É da Brigada Anti-Fraude, o sargento Meireles.

Leandro explica-lhe o que se passa e o Sargento Meireles promete enviar tudo o que tem sobre um novo grupo que opera na zona de Vilar dos Tristes no dia seguinte.

Confessa que nunca ouviu falar do Zé do Laço, mas estão mais interessados nos chefes do que nos operativos, acrescenta.

Mas Leandro continua convencido de que é uma mensagem. 

De quem? 

CONTINUA