quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

LATITUDE - PARTE III


Neste ponto da narrativa, o telefone toca e Jaime solta um palavrão.

Atende zangado, mas Leonardo, o agente, limita-se a rir.

" Então, como vai isso? " pergunta e Jaime, engolindo em seco, diz:

" Estaria melhor se não interrompesses!"

" Disseste que me enviavas a sinopse dentro de quinze dias. Já passou um mês e continuo sem saber nada sobre o enredo do livro. " queixa-se o agente. " Só sei que é sobre o Detective Latitude, mas o que é que ele vai fazer? "

" Ainda não decidi!"  e Leonardo enfurece-se.

" Ainda não escreveste nada??? Oh, pá, mas o que é que andas a fazer? Há um prazo a cumprir, entendes? "

Jaime opta por não dizer nada e despede-se rapidamente, cortando-lhe novas recriminações.

É que teve uma ideia e tem pressa em a colocar no papel.

" A rua ao pé do bar está cheia de polícias e Latitude olha os rostos, à procura de algum conhecido.

Perto da porta, está o Detective Salgado. O Latitude conhece-o dos tempos em que trabalhou nos Roubos Violentos.

" Oh, Salgado." chama-o e o outro vira-se.

CONTINUA

 

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

LATITUDE - PARTE II


Joaquim encolhe os ombros... 

Já sabe que ele não vai confessar nada, mas tem quase a certeza de que há uma mulher no meio...

Suspira, porque foi sempre por causa de uma mulher que o Latitude se meteu em trabalhos... 

Mas está longe da verdade, porque a proposta que o Latitude recebeu foi para organizar a segurança de uma grande empresa.

Oferecem um bom salário, carro da empresa e carta branca para os instalar sistemas de alarme que achar conveniente.

Latitude sabe que um ex-colega aceitou uma proposta semelhante e teve bastante sucesso.

Por isso, está hesitante.  Amanhã vai almoçar com o ex-colega para confirmar detalhes e depois conversar com a irmã e o cunhado sobre o assunto.

Talvez aceitasse a proposta, se o bar não tivesse sido assaltado naquele fim de semana e o Joaquim assassinado.

Por quem? Porquê? São as perguntas que o Latitude faz de imediato.


CONTINUA

domingo, 28 de janeiro de 2018

LATITUDE


O Detective Latitude passa os dias no bar...

Desde que foi suspenso por causa daquele affair com a stripper...

" Onde é que estavas com a cabeça?" ralhou a irmã " Um detective com uma carreira brilhante... inacreditável!"

Mas Latitude encolheu os ombros e desperdiça os dias a beber cerveja e a jogar dardos.

" Não achas que devias fazer qualquer coisa de útil? " pergunta o Joaquim, o dono do bar " Não é que me importe que estejas aqui... Os clientes sentem-se seguros por verem o polícia sentado no bar... mas não achas que está na altura de voltares ao trabalho? "

" Não sei se quero voltar." responde Latitude " Não vão confiar em mim... Estava a pensar em abrir uma agência de detectives..."

" E andares a seguir maridos e mulheres infiéis." Joaquim ri.

" Ou espionagem industrial..." diz o ex-detective, seguro de si.

" Porquê? Alguém já falou contigo sobre isso?" Joaquim fica interessado.

Latitude sorri....



CONTINUA

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

DOMINGO Á NOITE - O FIM


O Vasco desvaloriza a situação; o desaparecimento do Dr Fontes pode não estar ligado ao da Fátima.

Não se deve preocupar... Não lhe diz respeito; a empresa tem que resolver os problemas pendentes e ela limita-se a ajudar no que for possível.

Mais nada, acrescenta ao despedir-se. Vera sente-se mais reconfortada e quando o Dr Saavedra lhe propõe encarregar-se de parte dos projectos da Fátima, concorda.

Tem uma pequena reunião com a Ana para decidirem como organizar os projectos, mas evita falar mais no assunto.

A Alice é que continua curiosa e na pausa para café a meio da tarde, pergunta:

" O que é que acham de tudo isto? "

" Não sei verdadeiramente o que pensar." responde a Ana " Estou mais preocupada em decifrar a letra da Fátima." 

Mas a Alice não desarma e continua: " Ela e o Dr Fontes são ou não cúmplices? "

" Oh, Alice, não sabemos! É uma pista que a polícia está a seguir e pode não dar em nada. Desaparecerem os dois na mesma altura pode ser coincidência." observa Vera. 

" Não acho!" comenta a Alice, mas as outras duas já estão cansadas do assunto e voltam para as respectivas secretárias.

Mais tarde, sabem que o desaparecimento do Dr Fontes não tem nada a ver com o da Fátima.

O que ele fez exactamente, a empresa não comentou para grande tristeza da Alice.

Quanto à Fátima, está no Brasil. Foi atrás de um sujeito que conheceu via Internet e que a tinha convencido a investir numa empresa em expansão.

Claro que era tudo bluff, o que ele queria era dinheiro dela.

A Fátima só percebe isso quando chega ao Brasil e verifica que nada do que ele diz é verdade.

Com vergonha, não regressa a Portugal.


FIM


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

DOMINGO Á NOITE - PARTE V




Vera não quer acreditar, Jaime compreende isso pela expressão dela.

" O Dr Fontes e a Fátima envolvidos? " repete.

" Tudo leva a crer que eles estão envolvidos, não só romanticamente, mas também num esquema de burla." adianta Jaime.

" Burla? Burla aqui na Empresa? " pergunta Vera.

" É apenas uma pista que estamos a seguir." confirma Gonçalo " O que queremos saber agora é se notou alguma coisa estranha entre eles."

" Não, não. Pensei apenas que eram dois colegas a almoçarem juntos." confessa Vera.

O Inspector sorri e diz:

" A colega Alice afirma que eles estão envolvidos." mas Vera apressa-se a contradizê-lo: 

" A Alice é um pouco exagerada." e após mais uma troca de impressões, deixam-na sair.

Vera encosta-se à parede. A mente está num turbilhão.

A Fátima e o Dr Fontes, os dois suspeitos de burla? Não admira que tenha tentado tirar-lhe os projectos dos dois maiores clientes.

Telefona ao Vasco e combinam encontrar-se para almoço.

A Alice já está no seu posto de trabalho, mas Ana está a falar com o Dr Saavedra.

CONTINUA

domingo, 21 de janeiro de 2018

DOMINGO À NOITE - PARTE IV


O Inspector levanta-se quando a Vera entra na sala.  Vera sorri em resposta e senta-se.

Fica calada; espera pacientemente que lhe façam perguntas. Ao contrário de Alice, pensa o Inspector, que ofereceu logo uma série de informações.

" A Dra Vera trabalha na mesma área que a Dra Fátima? Como descreveria a sua relação com ela? " pergunta o Inspector, observando-a atentamente.

" Não éramos amigas intimas, mas havia cortesia, respeito profissional. Até que..." e interrompe-se.

" Até que? " questiona o detective " A D.Alice diz que a Dra Fátima modificou muito nos últimos meses, que se achava superior aos outros." 

Vera sente-se desconfortável, mas Jaime insiste na questão e tem que responder.

" Sim, começou a intrometer-se nos meus projectos e tivemos uma discussão muito amarga por causa disso. O Dr Saavedra, o director do Departamento, teve que interferir e reorganizar as funções de cada uma." confirma Vera.

" Terá sido por causa do tal homem com quem andava? O que sabe sobre ele? " observa Gonçalo.

" Não sei grande coisa. Nem sequer tenho a certeza disso! Não vou negar que ela mudou o estilo de roupa, de vestuário e deixou praticamente de falar connosco. Mas, se foi por causa do homem com quem a vimos almoçar algumas vezes no shopping.... não posso confirmar." confessa Vera.

" Mesmo se eu lhe disser que é o Dr Fontes Almeida, do Departamento de Informática e que está também desaparecido ? " interpela Jaime.

CONTINUA

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

DOMINGO Á NOITE - PARTE III


Faz-se silêncio e todos apressam-se a sentar. Os telefones recomeçam a tocar e há já alguém que os atende.

Não a Alice que, descarada, fica parada em frente do Director à espera que este fale.

O Director está acompanhado por um senhor franzino, com ar de doente que se apoia numa bengala e dois homens mais novos que se depreende serem da Polícia.

" Ah, Alice, este Senhor é o marido da Fátima e estes são o Sargento Jaime Peres e o Detective Gonçalo Luis. " apresenta-os à recepcionista que os cumprimenta com um sorriso e um aperto de mão.

"  Estes Senhores têm umas perguntas a fazer sobre a Dra Fátima. Como a Alice, a Dra Vera e a Engenheira Ana são as pessoas que lidam mais com ela, não se importam de os ajudarem? " diz e virando-se para os dois polícias, acrescenta " A Alice leva-os para a Sala de Reunião e podem conversar lá à vontade."

Alice assim faz enquanto o Director acompanha o marido da Fátima até ao elevador.

Aquele Senhor franzino e doente era o marido prepotente? Prepotente era a Fátima, pensam as duas colegas, sem se atreverem a expressar isso em palavras.

Meia hora depois, aparece a Alice e anuncia alto: 

" Querem falar contigo agora, Vera." e, baixinho, confessa: " Eu contei-lhes sobre o affair!"

" Oh, Alice." recrimina a Vera " Não temos a certeza disso."

" Mas não faz mal dizer." atalha a Ana " Pode ter importância para o caso."

CONTINUA 

domingo, 14 de janeiro de 2018

DOMINGO Á NOITE - PARTE II


No dia seguinte, Vera atrasa-se um pouco e está já preocupada com a boca que vai ouvir.

Mas, quando entra no escritório, está uma grande confusão.

Os telefones tocam sem parar e todos falam alto, altamente excitados. 

" O que se passa? " pergunta Vera e a Alice, a recepcionista pergunta-lhe:

" Ninguém te disse? Ninguém te telefonou? " e quando Vera abana a cabeça, continua, deliciada:

" A Fátima foi dada como desaparecida."

Vera olha-a incrédula. A Fátima, a quem a recente promoção subiu à cabeça e está a fazer a vida negra aos colegas?

" Não.... Estás a gozar comigo??? " repete, mas a Ana, que trabalha no gabinete ao lado, confirma:

" O marido está agora reunido com o Chefe. Veio acompanhado por um Inspector e um Sargento. Ao que parece, disse-me a Eugenia que ouviu antes de fechar a porta da sala de reuniões, ela saiu daqui na 6ª Feira e não foi para casa. Se calhar, fugiu com o dito cujo." sugere.

" Não tens a certeza disso!" corta a Vera.

" Pois não.... Mas é provável..." concorda a Alice. " Se me perguntarem, eu digo."

" Vais dizer o quê? Que achamos que ela está a ter um caso e que fugiram os dois?" comenta Vera. " Não será melhor atendermos o telefone? Devem pensar que estamos em greve!" 

Nesse momento, a porta abre-se e o Director do Serviço aparece.

CONTINUA


quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

DOMINGO À NOITE


" Ah, quem me dera que não tivesse que trabalhar amanhã..." lamenta-se Vera.

Vasco não responde. Está tranquilo, confortável e quer gozar o momento, saboreando o vinho e o calor do fim da tarde.

Mas Vera repete a ladainha e Vasco suspira. 

" Já te disse o que penso sobre o assunto. Faz qualquer coisa, mas deixa de te lamentar." e sai da sala, sem saber o que enfurecia mais.

Os queixumes ou a incapacidade em resolver o assunto. Ou seja, uma alternativa.

Vera também suspira. 

Ele tem toda a razão; devia tomar uma providência e está sempre a adiar uma decisão que só ela pode tomar.

" As coisas talvez melhorem amanhã." convence-se, mas está consciente de que diz isto há muito tempo.


CONTINUA






domingo, 7 de janeiro de 2018

LEANDRO E NATAL - O FIM


Leandro dorme até tarde e resolve preparar um " brunch " com o que sobrou da ceia de Natal.

Está  a acabar quando o telemóvel toca. É da Brigada Anti-Fraude, o Inspector Dantas, será que o colega pode passar por lá?

" Alguma coisa grave? " pergunta Leandro e o colega afirma estar relacionado com o caso que está a investigar.

Curioso, Leandro arruma tudo e, em menos de uma hora, está sentado em frente ao Inspector Dantas que folheia um dossier volumoso.

Dantes não deve ter mais de quarenta anos e nota-se que está nervoso. Diz a Leandro que foi promovido há pouco e está ainda a ambientar-se.

" O Sargento Meireles falou-me do seu interesse no Bando que se intitula os " Poderosos". Sabemos que a base deles é em Vilar dos Tristes e um dos seus negócios é o jogo ilegal. Creio que o colega pensa que esse tal Zé do Laço trabalhou para eles? "

" Enquadra-se no que ele fazia. Fraudes com cheques, apostas, etc. Estive com ele há algum tempo, precisamente em Vilar dos Tristes, mas não o pressionei, porque não era relevante para o caso que estava a investigar na altura." responde Leandro.

" Compreendo. Tenho que lhe confessar: temos um homem infiltrado no Bando e foi através do Zé do Laço que conseguimos que ele entrasse no esquema. Infelizmente, foi descoberto e pensamos que mataram o Zé do Laço como aviso." confessa Dantas.

" Atirar com um carro contra uma esquadra de polícia é isso mesmo: um aviso." comenta Leandro, secamente.

Dantas fica um pouco embaraçado, mas Leandro ignora-o.

" O que aconteceu com o vosso homem? " exige saber o inspector.

" Conseguimos tirá-lo de lá...."

" Mas não evitaram a morte do Zé do Laço.  Vou querer falar com o vosso homem, porque isto vai ser uma investigação conjunta." decide Leandro, mas Dantas não o contradiz.

Afinal, Leandro é o inspector mais antigo.

Ao sair do gabinete de Dantas, Leandro já está a marcar o número de telemóvel do Bernardes.

" Lamento interromper as férias, Bernardes, mas preciso de ti e da tua organização." é o que pensa enquanto espera que o sargento lhe responda.



FIM

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

LEANDRO E O NATAL - PARTE V


O Sargento Antunes interrompe-o:

" O Inspector tem a certeza de que este Zé do Laço esteve em Vilar dos Tristes? É que ninguém se lembra de ninguém com este nome e não têm recebido qualquer queixa de fraudes. Neste momento, o grande problema deles é o jogo ilegal."

 " Mas ele também pode estar metido." comenta Leandro " Tenho que esperar pelos documentos da Brigada Anti-Fraude."

O Alcides entra nessa altura com novas informações sobre o carro.

" O Inspector tinha razão. Este carro foi roubado em Vilar dos Tristes e pertencia a um José... " consulta as notas " Manuel Vicente que também desapareceu. "

" Isto confirma a minha teoria de que o Zé do Laço esteve em Vilar dos Tristes. " murmura Leandro " O que se passou lá, o que poderá ter contribuido para a sua morte e ainda por cima, atirar o carro para dentro de uma esquadra... é o que temos que descobrir." anuncia aos dois subordinados.

" Não agora! " contraria o Sargento Meireles " O turno da manhã vai entrar agora às 08h00. Passamos o assunto?" sugere, mas Leandro abana a cabeça.

" Não, não. Eu aviso o Comandante de que vou seguir este caso. Vocês podem sair; deixem toda a informação disponível na minha secretária. Volto esta tarde." e saí.

Já estão a colocar uma porta provisória e alguém varreu os vidros.

CONTINUA

  

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

LEANDRO E O NATAL - PARTE IV


" Sargento Antunes, é melhor contactar a esquadra de Vilar dos Tristes." pede Leandro ao Sargento " Sei que ele passou lá uns tempos... Quero saber tudo... Eu sei que é Natal... " atalha quando o Sargento protesta " Mas alguém está lá e pode dar-nos informações."

Alcides pergunta: " Ele trabalhava para algum gangue? " mas Leandro não responde.

Está preocupado com a situação: matarem um " zé - ninguém " como o Zé do Laço não é bom sinal.

" Alguém está a preparar alguma coisa e é grave." pensa " Tenho que falar com a Brigada Anti-Fraude. Quem está de serviço?" e alto, diz:

" Liguem à Brigada Anti-Fraude.  Eu falo com quem atender." e fecha-se no gabinete.

Uns segundos depois, o telefone toca. É da Brigada Anti-Fraude, o sargento Meireles.

Leandro explica-lhe o que se passa e o Sargento Meireles promete enviar tudo o que tem sobre um novo grupo que opera na zona de Vilar dos Tristes no dia seguinte.

Confessa que nunca ouviu falar do Zé do Laço, mas estão mais interessados nos chefes do que nos operativos, acrescenta.

Mas Leandro continua convencido de que é uma mensagem. 

De quem? 

CONTINUA