quinta-feira, 19 de abril de 2018

BERNARDES - PARTE III


" Nem o Inspector Leandro permitia! " contraponho " Mas consentia que seguíssemos a nossa ideia. Até certo ponto, porque a última palavra era dele, mas permitia que explorássemos outras linhas de investigação."

O novo Inspector fica muito sério e repete:

" Eu comando esta unidade e determino o que se faz. Estamos entendidos? " e faz-me sinal para sair.

Como se eu quisesse ficar no gabinete mais um minuto!

Ao fim da tarde, antes de irmos para casa resolvemos ir até ao café perto da esquadra.

" Vamos ter sérios problemas com este idiota!" diz o Tavares.

" Tem cuidado com a língua!" aconselha o Torcato " Mas não posso negar que tens razão! Vamos perder tanto tempo a confirmar aqueles depoimentos! Não sei o que ele quer fazer!"

" Eu também não!" confesso " Ele é que comanda a unidade e ai de quem o desafiar... foi muito claro nisso!"

" Que é que vais fazer? " questiona o Torcato.

" Se me chatear muito, peço transferência para outra unidade!" decide o Tavares.

Dou por mim a pensar no mesmo.


CONTINUA
 

terça-feira, 17 de abril de 2018

BERNARDES - PARTE II


O novo inspector interrompe o silêncio desconfortável. 

Tem uma voz baixa, educada, mas um pouco ríspida.

" A morte do Inspector Leandro foi um choque para todos. Contudo, temos que superar esta situação e não deixar que a equipa fique à deriva. Tenho a certeza de que, juntos vamos fazer um bom trabalho. Reunião no meu gabinete dentro de uma hora para actualização."  e entra no antigo gabinete do Leandro.

" Deriva... uma ova! " comenta o Tavares " Somos profissionais!"

" Juntos vamos fazer um bom trabalho!" imita o Torcato, acrescentando " Dandy!"

" Calem-se! Como diz o Tavares, vamos ser profissionais! Quem sabe? Pode ser tão bom como o Inspector Leandro." observo, mas tenho as minhas dúvidas.

O novo Inspector cansa-nos com detalhes e constantes pedidos de explicação.

Leandro era exigente, mas estava aberto a sugestões e ouvia-nos sem interromper como este.

" Não estou a entender! Foi uma perda de tempo seguir esta linha de interrogatório! Digo já que não vou admitir isto! Quero que revejam estes relatórios e voltem a contactar as testemunhas!" diz.

O Torcato e o Tavares pegam nos processos e saem da sala. Preparo-me para fazer o mesmo, mas o Inspector impede-me:

" Sargento Bernardes, como elemento mais graduado, espero da sua parte total colaboração. Não quero atalhos nem explicações sem pés nem cabeça! "

CONTINUA      


domingo, 15 de abril de 2018

BERNARDES


" Matei o Inspector Leandro!" e acordo todo suado.

Tenho todas as noites o mesmo pesadelo... 

A morte do Inspector foi um acontecimento traumático; abriram fogo, ripostei e procurei um abrigo, convencido de que o Inspector me seguia.

Mas não; tinha sido atingido mortalmente e, embora ainda respirasse quando o tiroteio terminou, não sobreviveu.

Houve um inquérito, uma reconstituição do tiroteio e concluiu-se que o Inspector foi morto pelos membros do gangue, que estão a monte.

Não sei porque me sinto tão culpado quando a culpa não foi minha.

É o que a minha mulher e o psiquiatra dizem... o inspector não reagiu a tempo, estava ferido demais...

Tenho que ir trabalhar... Temporariamente, até nomearem outro inspector, sou responsável pela equipa.

Para já, estamos só a fazer trabalho de secretária... O Tavares não se importa, mas o Torcato odeia.

Quando chego, o Chefe já lá está.  Está acompanhado por um homem alto, magro, de cabelo ruivo cortado à escovinha e dom olhos verdes.

Veste um fato cinzento, uma camisa branca e uma gravata azul escura. Um modelo, penso, olhando para o Torcato de calças de ganga e T-Shirt e o Tavares, de blusão de cabedal preto tipo motard.

" Oh, Bernardes, este é o Inspector Carlos Neiva. Vai assumir o comando da equipa. Ponha-o a par dos casos em aberto, está bem? pede-me o Chefe e, sem esperar resposta, saí da sala.

Ficamos os quatro a olhar uns para os outros num silêncio embaraçado.

CONTINUA




sexta-feira, 13 de abril de 2018

O FIM DO LIVRO - O FIM




A autopsia revela que a senhora morreu de causas naturais. 

Um ataque de coração fulminante e tanto o médico de família como o filho confirmaram que ela não se sentia bem há alguns dias.

A única coisa de que o investigador tinha culpa era ter saído de casa sem se ter apercebido de que a mulher estava a morrer.

" Porque... " diz-me a D.Guida, deliciada " ele ouviu os senhores baterem à porta, admitiu isso à Polícia. Mas estava a fazer as malas e saiu pela porta da cozinha, indo directo para a garagem. Deixou-a sozinha na sala e tadinha, morreu sozinha!" acrescenta.

" Pois... Sabe o que vão fazer do andar? " desvio a conversa para outros assuntos e D.Guida responde imediatamente.

" Ah, nem o marido nem o filho querem a casa; vão vender... Se bem que é melhor não dizerem que morreu lá uma pessoa... " comenta.

Sorri, pois tenho a certeza absoluta de que arranjará uma maneira de o dizer aos futuros inquilinos.

Termino o meu livro antes do prazo. 

O Jorge pressiona-me, pois quer saber todos os detalhes da história, mas eu convenço-o a ir ao lançamento.

Tenho uma surpresa para ele e ele fica sem palavras quando abre o livro e lê a dedicatória.

" Aos meus amigos, Jorge e D.Guida
Por estarem presentes... 
Por me fazerem rir com ideias mirabolantes."




FIM


quarta-feira, 11 de abril de 2018

O FIM DO LIVRO - PARTE V


Respondo calmamente às perguntas dos dois polícias. 

Eles querem apenas confirmar os acontecimentos da noite passada e quando pergunto porquê, apenas dizem que a senhora está morta e estão a tentar localizar o marido.

" Muito calados, não acha? " comenta a D.Guida

" Ainda é cedo para dizerem qualquer coisa.  Quem sabe? A senhora pode ter tido um ataque de coração fulminante!" digo.

" Não conseguiste saber nada? Mesmo nada?" interroga-me o Jorge ao almoço.

" Não. Estão apenas a inteirar-se dos factos. Mas que é estranho ele ter desaparecido... é!" confesso.

" Tens a certeza de que ele estava lá? Quem te diz que não gravaram a discussão antes? " sugere o meu amigo.

Olho-o surpreendido. É uma possibilidade... Com as novas tecnologias, tudo é possível.

" É uma possibilidade... não digo que não... Mas não a vou partilhar com a polícia! " acrescento.

Jorge ri-se e diz:

" Depois não digas que não te dou boas ideias!"

A verdade é que os acontecimentos da noite anterior fazem com que reescreva o enredo já alinhavado na minha mente.

O meu editor fica admirado quando lhe envio o primeiro rascunho.

" OH, ISTO É UMA MARAVILHA!" grita tanto ao telefone que a D.Guida se assusta.

Mas o que terá verdadeiramente acontecido no andar de cima?


CONTINUA

segunda-feira, 9 de abril de 2018

O FIM DO LIVRO - PARTE IV


Está zangado, pois, explica, tem um exame dali a umas horas e precisa de descansar.

" Não podemos fazer nada? " interroga e o Senhor Sousa, que vive no 1º Andar e que esteve sempre calado, decide.

" Vamos bater à porta e manifestar-lhe o nosso descontentamento. Amanhã manda-se um mail ao Administrador e diz-se que, se houver uma próxima vez, chama-se a polícia." e começa a subir as escadas.

Os homens seguem-nos e as senhoras ficam a comentar o caso no patamar. 

A discussão tinha cessado, entretanto, mas mesmo assim, o Sousa toca à campainha.

Ninguém atende, mas o Sousa não desiste e dá uma pancada na porta, dizendo bem alto para todos ouvirem.

" Não toleramos mais isto, Dr Mesquita! Vamos apresentar uma queixa formal ao Condominio e, se houver uma próxima vez, chamamos de imediato a polícia!" 

Ainda esperamos uns minutos, mas, como nem o Dr Mesquita nem a mulher abriram a porta (que falta de educação, diz a D.Luisa), regressamos às nossas casas, pensando que o pior tinha passado.

Mas o pior ainda estava para acontecerA D.Guida acorda-me no dia seguinte, muito nervosa e segreda-me:

" Estão dois polícias na sala à sua espera! Bem lhe disse que o Dr ainda estava a dormir, mas eles pediram para o acordar."

" Mas o que se passa? " resmungo, enquanto enfio um roupão e calco os chinelos.

" Parece que o investigador matou a mulher!" sussurra a D.Guida.

CONTINUA     

sexta-feira, 6 de abril de 2018

O FIM DO LIVRO - PARTE III




Nessa noite, estala uma discussão no andar de cima.  

Ouço qualquer coisa a cair... Terá sido a senhora?...

" Já sei que ele esteve cá! Não mintas!" diz o investigador.

Não consigo perceber a resposta da senhora, mas não deve ter agradado ao marido, porque uma porta fecha-se com estrondo.

Fica tudo em silêncio e resolvo reler as minhas notas.

Escrevo no Google " violência doméstica?"  e aparecem-me várias artigos que leio atentamente.
  
Deparo-me com o contacto da APAV e envio de imediato um mail, a solicitar uma entrevista.

Satisfeito com a pesquisa, deito-me por volta das duas da manhã.

Acordo duas horas depois em sobressalto.

Os meus vizinhos estão a ter uma nova discussão

Está a ser bastante violenta e não sou só eu quem sai para o patamar. 

Encontro aí os vizinhos de baixo e eles perguntam-me:

" O que acha? Chamamos a Polícia ou batemos à porta? " sugere a D.Luisa do segundo andar.

" Não vale a pena avisar o Administrador. Ele está fora; temos que ser nós a resolver o assunto!" avisa o Dr Gonçalves do primeiro andar.

Alguém desce as escadas. É o estudante que alugou a casa do casal que está a viver temporariamente na Bélgica.

CONTINUA 

  

 






quarta-feira, 4 de abril de 2018

O FIM DO LIVRO - PARTE II


Nesse dia, quando regresso a casa, ouço vozes no patamar do andar de cima.

É a voz de uma mulher, clara, educada:

" É melhor que ele não te encontre aqui. Desce pelas escadas... tem cuidado, não deixes que ele te veja."

Entro apressadamente em casa, mas não fecho totalmente a porta.

É um rapaz com vinte e poucos anos que desce. Tem cabelo ruivo, um pouco comprido e veste umas calças pretas e um anorak preto.

Lá em cima, a porta bate. A vizinha já deve ter entrado e uns segundos depois, o elevador sobe e para naquele andar.

" Hum, quem será o rapaz? " murmuro " Amante dela? " mas a D.Guida trata de me elucidar na manhã seguinte.

" Sabe quem vi sair ontem daqui do prédio? " e continua sem esperar pelo meu acordo " O filho dos vizinhos de cima."

" Ah, eles têm um filho? " pergunto.

" Sim, deve ter 22, 23 anos. Estão zangados, disse a Madalena da mercearia. Ao que parece, o pai queria que fosse advogado ou coisa assim parecida, mas o rapaz é dado às artes. Por isso, saiu de casa e deve visitar a mãe às escondidas do pai." 

A D.Guida sorri-me e confessa:

" Não percebo qual é o problema. Os filhos têm que ser felizes, não acha?" e, sem esperar por resposta, entra na casa de banho.

Isto muda completamente o enredo.

CONTINUA

segunda-feira, 2 de abril de 2018

O FIM DO LIVRO


Devia começar esta história pelo fim...

A discussão violenta do andar de cima distraiu-me e acabei por ficar a olhar para o écran, sem saber o que escrever.

" O que fizeste? " pergunta o Jorge ao almoço no dia seguinte. " Bateste à porta, telefonaste à polícia?"

" Não, enviei um mail à Administração do Condomínio." replico.

O Jorge sorri. É consultor financeiro; deu-me boas dicas para uma das minhas personagens, mas não lê os meus livros. 

Diz que conhece as personagens tão bem como eu, está ciente das dúvidas e medos de cada uma delas de tanto me ouvir falar. 

Se lesse e o enredo fosse diferente do que pensou, teria uma grande desilusão.

" Mas o que sabes sobre esses teus vizinhos? " insiste.

" Pouco. Sei que ele é investigador e ela professora numa universidade. Quem me contou foi a D.Guida, a senhora que me faz a limpeza." comento.

" Violência doméstica? Estará ele envolvido com uma colega? Ou é ela? " sugere o Jorge. " Vais escrever sobre isso? "

Por acaso, já tinha pensado nisso...


CONTINUA 

 

domingo, 1 de abril de 2018

PAZ



Ups,mais um dia!

Mais uma grande confusão! Porque tenho a impressão de que não controlo nada...

E sinto-me estúpida... 

Talvez porque sinto que isto não é um desafio e eu gosto de um desafio...

Por isso, hoje celebro sozinha a Páscoa...

Por ser egoísta e os egoístas morrem sozinhos? 

Por ser misteriosa? Mas há certos aspectos da nossa vida que são só nossos...

Inveja? Mas inveja de quê? Se tenho tudo o que preciso?

Por isso, o que é que está a correr mal?

Mas hoje não é um bom dia para pensar nisso.

Porque é Páscoa e preciso de PAZ....


BOA PÁSCOA PARA TODOS


quarta-feira, 28 de março de 2018

LUCIANA - O FIM


O primeiro evento fora do Top Model é um sucesso.

Contudo, o dono telefona-lhe e diz que terá que haver algumas alterações, caso queira organizar outro evento no bar.

Consumo mínimo de 2 bebidas, não haverá problemas em decorar o bar de acordo com um tema, mas não haverá dançarinos exóticos ou DJ's a tocar música frenética.

Um fotografo? Poses divertidas? Ok, até pode ser engraçado, mas quem paga? Luciana e o dono desliga, cortando qualquer negociação.

Mesmo assim, a Luciana consegue ter um bom lucro. 

Mas estas coisas acabam por se saber e uma noite no Bar da Cerveja, alguém comenta a festa a que foi no Bar da Esquina.

Gil ouve, suspeita que há dedo da Luciana e confronta-a.

" Oh, pá, deixa-me em paz! O que eu faço fora daqui não te diz respeito!" refuta a Luciana.

" Mas diz ao Anselmo. Ele não merece que o trates assim; deu-te um emprego e se te cortou as asas, foi porque tu abusaste!" responde o Gil.

" Cala-te! Que importância tem? " insiste a Luciana.

" Não percebes nada! Isso é ser-se desleal! Continuas a fazer destas e vais ser despedida." remata Gil.

Luciana encolhe os ombros. Tem a certeza de que ele não vai contar nada ao Anselmo.

E o Gil não conta. O Anselmo encontra o dono do Bar da Esquina um dia na Baixa, almoçam juntos e o outro fala das obras de renovação que pensa fazer no bar.

" Desde que aquela Luciana me pediu para organizar lá uns eventos... " e o Anselmo fica em estado de choque.

Naquela noite, o segurança impede a Luciana de entrar no bar e no dia seguinte, o advogado do Anselmo convoca-a para uma reunião.

E, lá volta a Luciana para o desemprego... Pela loucura, pela irreverência, pela irresponsabilidade....

Quem sabe?


FIM

segunda-feira, 26 de março de 2018

LUCIANA - PARTE V


Queria tanto que o Top Model fosse diferente do Bar da Cerveja!

Tem que reconhecer que a ideia foi infeliz e tem realmente que ter mais cuidado!

Por isso, na manhã seguinte, reorganiza os pedidos e dá o ok imediato (com cópia para o Anselmo, pensa) a uma empresa que pretende alugar o bar para a apresentação de um novo vinho.

Para a fila dos " A considerar", fica uma despedida de solteiro e uma festa " pós divórcio".

Luciana até gostaria de a organizar, tem já uma ideia maluca, mas o Anselmo vetaria e o Gil não a deixaria em paz com insinuações.

" Até posso organizar... Não no Top Model, mas posso contactar outro bar e fazer tudo lá!" diz alto.

Não hesita; envia um mail a dizer que o Top Model tem uma agenda muito sobrecarregada, mas terá todo o prazer em organizar o evento num outro local, igualmente sofisticado.

Contacta o Bar da Esquina, conhece vagamente o dono e acerta detalhes.

O Anselmo não precisa de saber e entra um dinheiro extra na conta.

Satisfeita, Luciana prepara-se para a noite.


CONTINUA  

sexta-feira, 23 de março de 2018

LUCIANA - PARTE IV


O que a Luciana não diz é que é um desfile de "lingerie" e as tapas vão ser feitas com ingredientes afrodisíacos.

Mas não pode prever que alguém beba mais do que a conta e invada o vestiário onde os modelos mudam de roupa.

Que, apesar dos protestos destas, ele insista em ficar e tenha que ser retirado à força pelo segurança.

Ou que tenha tropeçado e caído quando saí e as pessoas presentes no corredor tenham interpretado mal a situação e agredido o segurança.

Felizmente, o Anselmo está no escritório, resolve a situação com diplomacia e oferece uma bebida extra a todos.

Chama a Luciana ao escritório e repreende-a severamente.

" Não tenho culpa que ele tenha bebido demais!" protesta.

" Mas és! " insiste o Anselmo " A partir de hoje, eventos como estes estão cancelados; nem te atrevas a sugerir.  Prepara lançamentos de vinhos, de tequila, de vodca, chocolates, o que queiras... mas desfiles, caça ao tesouro, beijos sexy... estão interditos! Desobedeces e estás na rua... Entendido? " frisa. 

Luciana não se atreve a dizer mais nada. Até gosta de trabalhar aqui...

Decide sair mais cedo e vai para casa.

CONTINUA

quarta-feira, 21 de março de 2018

LUCIANA - PARTE III


Escusado será dizer que a Luciana não explora as possibilidades de emprego agendadas para o dia seguinte.

Os dois meses seguintes passa-os na companhia do Anselmo e do Gil a escolherem as cores, o mobiliário, a contactarem fornecedores, Chefs de cozinha, etc.

Resolvem abrir os bares na mesma noite. 

Para o Bar da Cerveja, anunciam que as duas primeiras cervejas são por conta da casa. 

Para o Bar Top Model, o "dress code" exige vestido branco para as senhoras e camisa xadrez para os homens.

A surpresa será a prova de tapas quentes à meia noite.

Luciana resolve passar a noite no Top Model e o vestido é tão curto que o Gil pergunta se tem a certeza que é " um vestido ".

A Luciana ri-se e esforça-se para que a noite seja um sucesso.

E é. Nos dois bares.

O Gil acha que o fim de semana será ainda melhor, principalmente no Bar da Cerveja.

Um DJ famoso estará lá na sexta-feira e no dia seguinte, uma banda relativamente conhecida.

" E, no Top Model? " pergunta o barman.

" Haverá uma passagem de modelos e por volta da uma da manhã, o Chef Rodrigo apresentará uma nova tapa." responde a Luciana.

" Achas que é o suficiente? " comenta o Gil.

Luciana sorri e não responde.

CONTINUA


segunda-feira, 19 de março de 2018

LUCIANA - PARTE II


Luciana não hesita e conta a história com todos os pormenores.

Gil desata às gargalhadas e diz: 

" És completamente doida! " e o Anselmo, o dono do bar, senta-se ao pé da Luciana.

" O que se passa, Luciana? Mais uma das tuas maluquices? Não queres aproveitar essas ideias malucas que tens e aplicá-las aqui no bar?"

" Aqui? A fazer o quê? Gerente da noite? " brinca Luciana.

" Não, quero reestruturar tudo. Quero abrir dois bares, com decoração e ambiente diferente." conta o Anselmo.

" Bares temáticos? Um sofisticado e outro mais popular? " sugere o Gil.

" Cerveja e champagne? " ri Luciana, mas é exactamente disso que o Anselmo está a falar.

Luciana lembra-se então de que tem um amigo que está a promover uma nova marca de cerveja e poderão patrocinar o novo bar.

" É uma boa ideia!" concorda o Anselmo e o Gil diz:

" Também podemos ter música ao vivo, bandas que estejam a começar...Pode ser um chamariz... E, quanto ao outro? Cocktails exóticos, tapas misteriosas? "

" Podemos convidar chefs conhecidos e desafiá-los a inventar uma tapa. Ou desafiar os próprios clientes." comenta a Luciana.

Os dois homens concordam e decidem ter uma reunião na tarde do dia seguinte para discutirem mais pormenores.


CONTINUA     

sexta-feira, 16 de março de 2018

LUCIANA



No próprio dia em que são despedidos, a Luciana termina tudo com o Mendes.

Quem sabe se ele não fez isto de propósito? 

Ou a culpa terá sido dela por gostar de jogos e homens perigosos?

De levar às coisas até ao limite aceitável.... 

Era inevitável o que aconteceu... Mas valeu o risco....

E, agora? O que fazer? Ainda por cima, veio sem carta para o fundo de desemprego e ela gosta de luxo.

Por isso, começa a contactar amigos e conhecidos. 

A meio da tarde, já tem algumas " portas " a explorar.

" Amanhã, trato disto!" pensa e resolve sair para desanuviar.

Janta num restaurante perto das docas e dá um pulo até ao bar favorito, o Gus.

Ainda é cedo e senta-se na bancada a conversar com o Gil, o barman.

" Então, o que se passa, Luciana? Não há trabalho amanhã? " pergunta o barman.

" Não, despediram-me hoje. Imagina só!" responde.

" O que é que fizeste? " Gil conhece-a muito bem.

CONTINUA