sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

LEANDRO E O NATAL - PARTE III


" Ok, alguém verificou a informação? " pergunta Leandro, abrindo o processo.

" Oh, inspector, é Natal. Só tomamos conta da ocorrência; ainda não confirmamos nada." responde o Alcides.

"  Pois.... " murmura o inspector " Se alguém tivesse confirmado a informação, saberia que a Travessa do Laço é pouco dada a participar este tipo de ocorrência.... "

Alguém bate à porta do gabinete e o sargento de serviço entra sem esperar resposta.

" Inspector Leandro, descobrimos um corpo na mala do carro. A equipa quer falar com o inspector antes de o remover." 

" Um corpo? " repete Leandro e levanta-se de imediato. O Alcides e o sargento seguem-no, curiosos.

Uns minutos depois, olham os três para o corpo de um homem, com cerca de 30 e poucos anos, que a equipa tira com todo o cuidado e coloca em cima de uma maca.

A máquina dispara e Leandro aproxima-se. A camisa está rasgada e ensopada de sangue, os braços estão cobertos de hematomas e o nariz está partido.

Mas o inspector reconhece-o. É o seu velho amigo, Zé do Laço.

O Zé do Laço de volta à cidade grande? Porquê? O que teria acontecido de tão grave na pequena cidade onde se refugiou para regressar?

" Sabe quem é, inspector? " diz o sargento, lendo correctamente a expressão do inspector.

" Sim, é o Zé do Laço. Fraudes, apostas ilegais, etc. " confirma Leandro e pede para confirmarem as impressões digitais.


CONTINUA

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

LEANDRO E O NATAL - PARTE II


" O quê??? Um carro entrou pela esquadra dentro??? Quando é que foi isso??? " repete Leandro, mas Alcides está tão perturbado que o inspector não pede mais detalhes.

Enfia o casaco, pega nas chaves e desce até à garagem. Meia hora depois, está na esquadra de Benavente e depara com uma cena caricata.

A porta, de vidro, está estilhaçada e o carro parou mesmo em frente ao balcão do atendimento.

O sargento de serviço não sabe o que pensar, está ali parado sem tomar qualquer atitude e fica aliviado quando vê o inspector.

Este aproxima-se do carro e tenta abrir a porta. Mas esta está bloqueada e Leandro olha em volta.

Dir-se-ia que a Fada Má passou por ali e transformou os homens em estátuas de gelo. Ninguém fala, ninguém toma a iniciativa.

" Então? Alguém chamou a equipa forense? " pergunta o Leandro " O carro não veio parar aqui sozinho... Alcides, toma nota da matricula.... E, sargento, chame a equipa de manutenção, alguém tem que limpar isso... " acrescenta.

As ordens são cumpridas rapidamente e Leandro resolve chamar o Sargento Bernardes.

Mas o Bernardes está no Algarve e só volta em Janeiro.

" Talvez o Alcides me possa ajudar..." pensa. Abre a porta do gabinete e pede ao sargento para chamar o Alcides.

Este aparece de bloco na mão. Já sabe que o carro foi roubado naquele manhã do parque de estacionamento do shopping.


CONTINUA

domingo, 24 de dezembro de 2017

LEANDRO E O NATAL


Este ano, o Inspector Leandro não se importa de passar o Natal sozinho.  

Não entende muito bem esta ânsia de querer estar sozinho a meditar, mas está um pouco cansado das pessoas.

Talvez porque viu demasiada maldade... e desconfie de tudo e de todos.

Por isso, não reage quando lhe dizem que estaria de piquete na Véspera.

O pessoal da esquadra vai organizar uma ceia, mas ele prefere ficar em casa, com o telemóvel ligado.

Prepara uma ceia agradável, escolhe como música de fundo uma " Lied" de Schubert e senta-se em frente da lareira a beber um gin-tónico.

Na esquadra, os rapazes devem já estar um pouco bebidos, pensa... e adormece.

Acorda uma hora depois assustado com o telemóvel.

" Sim, o que se passa?.... Calma, Alcides, não estou a perceber nada..." pede.

CONTINUA

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

NATAL



O " Minha Página" vai fazer umas férias....

Vai sonhar com a neve ou partir para um local exótico....

Mas volta na próxima semana.... 

Com uma nova história....

Se começa pelo fim e acaba no princípio.... 

Surpresa....

A todos que me acompanham, um FELIZ NATAL.....



 A foto é minha...
Tirei-a com o telemóvel....

domingo, 17 de dezembro de 2017

A VILA - FIM


Depois de uns minutos de pânico, a Teresa telefonou para o INEM.

Quando este chega, declarou o óbito e, tal como a lei exigia, comunicou o caso à GNR.

A morte do José foi tratada como "morte suspeita" e não como homicido como um dos GNR's disse ao Filipe Paixão.

Mas a Tia Madalena não quis saber; dizia que a Teresa era a culpada, podia negar as vezes que quisesse, mas era amante do Joaquim e os dois eram cúmplices.

O Filipe tentou acalmar os ânimos e chamou-lhe a atenção de que a Teresa estava ausente há mais de um mês e o Joaquim tinha-lhe pedido ajuda para vender o negócio.

O Joaquim e a Renata Sofia tinham decidido que estava na hora de viverem juntos e optaram por comprar uma casa numa vila mais próxima da cidade.

Daí, o Joaquim ter contactado o Filipe para o ajudar na transferência do negócio e na venda da oficina.

" Ah, ah... Acredita nisso, Sr Paixão? "  riu-se a Tia Madalena " Ela nunca me enganou... Aquela sonsa, com a mania de que era artista...."

" A conversa termina aqui." exigiu o Padre António " A Teresa acaba de me dizer que o Joaquim morreu de ataque cardíaco e ao cair, feriu-se na cabeça... Nem mais uma palavra!" acrescentou quando a Tia Madalena abriu novamente a boca.

O Padre sentou-se ao pé do Filipe para beber uma cerveja. A Tia Madalena resolveu ir para casa e aborrecer o marido com a história da Teresa e do Joaquim.

A Teresa trespassou a mercearia e voltou para a cidade.  Soube-se mais tarde que estava a ter bastante sucesso com os bonequinhos e abriu a sua própria loja/galeria.

O Joaquim mudou-se para a nova casa com a Renata Sofia e não regressou mais à vila.

Durante algum tempo, ainda se falava no caso da Teresa e do Joaquim, mas com a chegada de um novo electricista e de um casal que transformou a mercearia num mini-mercado, tudo foi esquecido.

Havia muita coisa a criticar....


FIM

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

A VILA - PARTE VII


" Temos mesmo que falar!" decidiu a Teresa " Falar sem intermediários... Nada de Padre António, Filipe ou Tia Madalena."

Por isso, foi no último autocarro; o José não lhe negaria guarida por uma noite e discutiriam tudo o que havia para discutir.

A mercearia já estava fechada quando chegou, mas também já passava das dezanove horas e não ficou surpreendida.

O que a surpreendeu foi a porta da casa não estar fechada à chave e não haver luzes.

Tocou, mas como o José não atendeu, resolveu entrar com a chave. Felizmente, o José não tinha mudado a fechadura.

Subiu as escadas, não havia luzes na sala nem a televisão estava ligada. 

" Que estranho!" pensou " Se calhar, mudou de hábitos e vê as notícias mais tarde!" 

Como havia luzes na cozinha, foi até lá.

" Olá, Jos... " mas a saudação morreu, pois o marido estava caído no chão e saía sangue de um ferimento na cabeça.

" AI..." o grito espalhou-se pela noite.


CONTINUA

domingo, 10 de dezembro de 2017

A VILA - PARTE VI


Na loja/galeria confirmaram que sim, vendiam à consignação os bonequinhos da Teresa.

Infelizmente, não podiam dar o contacto dela, porque, há cerca de uma semana, dez dias, a Teresa tinha retirado os bonequinhos da galeria e cancelado o contrato.

Ferida com a hesitação do Gonçalo, a Teresa ponderou os prós e contras da situação e resolveu alugar um pequeno estúdio numa outra zona da cidade.

Perto do estúdio, havia uma loja de artesanato que se mostrou interessada na colecção que apresentou e a Teresa não hesitou.

Arregaçou as mangas e começou a preparar uma nova colecção.

Sabia que tinha que resolver a situação com o José, mas estava relutante em voltar à vila.

O José continuava desanimado e, se não fosse o Padre António a dizer-lhe que estava a ser egoísta e não podia pensar só nele, a mercearia continuaria fechada.

Por isso, o José lá abria a loja, controlava as vendas, as entregas do fornecedores, mas pouco mais fazia. Até ao café deixou de ir; ficava em casa a olhar para o espaço.

O Joaquim regressou das mini-férias e não entendeu nenhuma das " bocas " que a Tia Madalena lhe dirigiu.

Queixou-se ao Filipe Paixão, mas este riu-se e disse-lhe para esquecer.

E, ele esqueceu até à noite que a Teresa resolveu visitar o marido.


CONTINUA


sábado, 9 de dezembro de 2017

A VILA - PARTE V


Na vila, o Padre António tentava animar o José que estava ainda de pijama e com a barba por fazer.

Na loja, com o pretexto de dar uma ajuda, a Tia Madalena embelezava a história.

" Quem diria que a Teresa era uma falsa? Deixar assim o homem... A esta altura, ela e o Joaquim estão a rir-se do pobre do homem..." 

Mal ela sabia que o Joaquim estava numa outra cidade a instalar o equipamento de som para actuar naquela noite.

A Renata Sofia ia ter com ele e passariam o fim de semana juntos.

" Não sei como vamos resolver a situação... Não sabemos onde está a Teresa e o José não a quer procurar e esclarecer o assunto." confessou o Padre António ao Filipe Paixão naquela noite ao jantar.

O Filipe tinha ficado surpreendido com o convite do Padre, mas este explicou-lhe que precisava de companhia " sensata".

O "Don Juan" não se considerava uma pessoa sensata; tinha fama de correr atrás de tudo o que tivesse saias, mas o Padre sabia que, por trás daquele charme, havia um homem com princípios e opiniões sólidas.

" Sinceramente, Padre António, não sei o que dizer. Posso tentar localizar a Teresa. Sei que ela vendia as figurinhas que fazia numa loja na cidade; é uma questão de as contactar... Alguém há-de saber alguma coisa." sugeriu.


CONTINUA

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

A VILA - PARTE IV


No dia seguinte, o Joaquim carregou o equipamento de som e partiu para cumprir "compromissos profissionais".

Foi o que bastou para alguém dizer que ia ter com a Teresa.

O Padre António ouviu e aconselhou severamente quem estava presente a reflectir no perigo de " levantar falsos testemunhos".

Mas ninguém prestou atenção, pois a história estava a tornar-se interessante, tanto mais que o José não tinha aberto a mercearia.

Nesse momento, a Teresa contava tudo o que se tinha passado ao Gonçalo que a escutava boquiaberto.

A Teresa estava entusiasmada, cheia de planos e precisou de uns minutos para perceber que Gonçalo estava muito calado, muito distante.

" Não estás contente? " perguntou-lhe e o gerente da loja/galeria fez um esforço para explicar claramente o ponto de vista.

" Não... Quero dizer, os teus planos são fantásticos, mas ...." hesitou, mas a Teresa interrompeu-o de imediato:

" Não queres fazer parte deles.... É isso? " e quando, embaraçado, o Gonçalo acenou que sim, a Teresa teve outra fúria e saiu disparada da loja, gritando:

" NUNCA MAIS ACREDITO EM HOMENS!"

CONTINUA

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A VILA - PARTE III


A Tia Madalena tinha razão num ponto: tanto a Teresa como o José tinham um caso... Mas não era um com o outro.

A Teresa estava envolvida com o gerente da loja/galeria de artesanato onde vendia as suas peças e o José estava apaixonado pela Renata Sofia que conhecera numa festa onde actuou como DJ.

A razão da boleia foi porque se encontram os quatro um dia na entrada do mesmo motel e, como nenhum dos dois queria que houvesse falatório, tiveram que conversar sobre o assunto e decidir uma estratégia.

Entretanto, o Filipe Paixão tentava falar com o José "Electro" sobre o que se tinha passado na mercearia.

Mas o José encolheu os ombros e disse simplesmente:

" O que se espera de um homem que casou tarde e com uma mulher mais nova? Ciúmes idiotas."

" Pois é... A Teresa é boazona!" riu-se o Filipe " Mas não dá trela e olha que eu tentei."

José riu-se também e pensou que talvez não fosse má ideia contar ao Filipe. Mas calou-se e aceitou a cerveja que o outro ofereceu.

O Padre António pedia perdão a Deus, pois tinha vontade de esbofetear o Joaquim.

Este estava cego e surdo para o Mundo e só dizia:

" Ela pensa que me engana... Mas eu sou mais esperto do que ela... Ela vai ver..."

" Oh, Joaquim, tem calma... Descansa e amanhã vais ver a situação doutra maneira e falas novamente com a Teresa." aconselhou o padre.

Mas a Teresa fez uma mala e apanhou o último autocarro para a cidade.

CONTINUA




sábado, 2 de dezembro de 2017

A VILA - PARTE II


A Tia Madalena pode dizer muita coisa, mas a verdade é que toda esta história começou quando o José acusou a Teresa de o trair com o Joaquim "Electro" Pirata.

A Teresa negou veementemente; o Joaquim apenas lhe deu boleia, mas o José não acreditou e partiu alguns dos objectos de barro que ela estava a preparar.

A Teresa enfureceu-se e deitou ao chão as caixas de tomates e peras que tinham recebido naquela manhã.

O José gritou, chamou-lhe " leviana, gastadora" e no meio da confusão, o Joaquim entrou para mudar, como combinado, o fusível do quadro.

O merceeiro atacou verbalmente o Joaquim, que, espantado, sem entender a fúria do outro, nem reagia.

Se não fosse o Filipe Paixão, que, apesar da fama de Don Juan, era um homem ponderado intervir com a ajuda do Padre António, sabe-se lá o que aconteceria.

Isto era a opinião da Tia Madalena, que, a pretexto de ajudar a Teresa, entrou também na mercearia.

" Estava tudo no chão!" contou ela no café mais tarde " Os bonecos que ela faz, os tomates, as peras a rolarem pelo chão... E, o Filipe e o Padre António só diziam para terem calma."

" Oh, Madalena, mas porque é que eles discutiram? " perguntou a Carolina dos Bordados.

" Eles vieram juntos da cidade... Sei que Teresa foi entregar uma encomenda e o Joaquim foi comprar material." sussurrou a Tia Madalena.

CONTINUA

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

A VILA


LISTA DOS PERSONAGENS PRINCIPAIS:

José Tareco - o dono da mercearia da vila

Teresa Tareco - a mulher e artesã

Joaquim " Electro" Pirata - o electricista e DJ nas horas vagas

Filipe Paixão - o "Don Juan" da vila

Tia Madalena - a "sabe tudo"


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" AI...." o grito correu pela noite tranquila, mas ninguém abriu a porta e espreitou.

Sabiam muito bem quem estava a gritar e porquê.

Segundo contava a Tia Madalena, a Teresa merecia tudo o que estava a acontecer.

Ainda bem que o José tinha tomado uma atitude; aquilo era um escândalo...

Ouviu-se uma sirene e todos se interrogaram:

" A policia aqui na vila? A esta hora? Porquê? " mas apenas o Filipe Paixão abriu a porta e, ousado, perguntou a um dos GNR:

" O que aconteceu? "

" Um homicídio. Volte para dentro, se faz o favor." pediu, carrancudo, o GNR.

O Filipe fecha a porta como pedido e liga de imediato à Tia Madalena.

Meia hora depois, toda a vila sabe que houve um homicídio.

Quem assassinou quem?


CONTINUA