sexta-feira, 3 de novembro de 2017

O DESAPARECIMENTO - PARTE III


Através do Facebook, soube que o meu namorado tentou reconstruir os meus passos, encontrou o motorista de táxi, mas este apenas confirmou o que já tinha dito.

Um ano ou dois anos depois, o meu namorado desistiu de me procurar, conheceu outra pessoa e casou-se.

A minha irmã não queria desistir, talvez porque a minha Mãe nunca perdeu a esperança, mas um dia, cansou-se. 

Estava esgotada, física e emocionalmente.

E eu? Nunca me arrependi até hoje quando li no jornal português que assino que a minha Mãe tinha morrido.

Ligo o PC, procuro a página do Face da minha irmã e lá estão várias mensagens de condolências e um breve post de agradecimento.

Fico parada no meio da sala e olho para a praia, sem a ver realmente.

O que é que eu fiz? 

Anos " desaparecida", sem dar notícias e a minha Mãe morreu, sem saber se estou viva ou morta.

A culpa desce na minha cabeça e desato num choro intenso.

CONTINUA   

2 comentários:

Sofá Amarelo disse...

Tudo muito actual: não são muitas as histórias que já incluem a trama com o Facebook, porque em termos literários é algo recente e a literatura anda sempre atrasada em relação a estas inovações. Mas, sem dúvida que o Facebook existe e tem uma enorme influência hoje na vida das pessoas... porque não haverias de o referir nas tuas narrativas?

Carlos Fragata disse...

Tocante...
De tal modo que me "associei" imediatamente a essa dor que, mais que dor de perda é um misto de remorso e desespero pela impossibilidade de reparação...
Magnífico o modo como, mesmo sem querer, nos cai o mundo em cima como se a personagem fôssemos nós!
Muito, muito bom!!!!!