segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O DESAPARECIMENTO - O FIM


O que decidi depois... não foi justo para ninguém...

Mas tinha que o fazer e o primeiro passo foi contar toda a verdade ao meu marido.

Ele fica boquiaberto, olha-me como se não me conhecesse e, sem dizer palavras, saí de casa.

Engulo em seco; não o posso criticar... Marco a viagem, peço uma licença no trabalho e depois, tento explicar aos meus filhos.

Não consigo... O meu marido, que entra nesse momento, aconselha-me simplesmente a partir.

" Mas...." começo, mas ele interrompe-me suavemente:  

" Dá-nos tempo... Há muita coisa a sentir, a dizer... Depois, falamos contigo." e eu saio.

Não sei o que sinto... Será que vão compreender, perdoar-me?... 

E, a minha irmã? Vai compreender, aceitar as minhas razões para desaparecer assim?

Quando abre a porta da casa dos nossos Pais, olha-me como se eu fosse um fantasma.

" OH, LÍDIA!" e agarra-me fortemente. Para ter a certeza de que sou de carne e osso....

Depois recua e eu sorrio. A bofetada é forte, certeira, mas eu não me atrevo a protestar.

Mereci-a... Talvez as coisas fossem diferentes se tivesse aparecido há mais tempo.

Espero que não seja tarde.  Entro em casa e fecho a porta silenciosamente.

FIM

2 comentários:

Daniel Costa disse...

Marta
Adoro o policial, quer seja conto ou romance, aqui está uma forma policiarista, de que gostei. Em portugal foi paradigmático, o escritor José Augusto Roussado Pinto (Ross Pyn)com cerca de 50 titulos, com outros tantos pseudónimos, constituídos por nomes americanos.
Beijos

Sofá Amarelo disse...

Vidas Reais: acabaste de dar fim a uma história que bem podia teres ido colher á vida real... aqui feita com uma excelente narrativa e uma facilidade de diálogos que muitos autores às vezes têm dificuldade em conseguir. Parabéns pela história e parabéns por isso :-)