segunda-feira, 30 de outubro de 2017

O DESAPARECIMENTO - PARTE II


Claro que elaborei um plano e segui-o à risca.

Sondei os meus contactos e através deles, conheci outras pessoas que me ajudaram a preparar a minha fuga.

Escolhi Agosto para ter uma desculpa plausível e na data prevista de regresso, não apanhei o avião.

A minha irmã estava no Aeroporto, à minha espera e quando não apareci, contactou a polícia, a companhia aérea, a agência de viagens, o hotel.

A informação foi unânime:  paguei um bilhete de ida e volta, estive hospedada naquele hotel a semana inteira e apanhei um táxi para o aeroporto.

O que aconteceu entre o hotel e o aeroporto... ninguém sabe. 

Sei eu...

Apanhei um outro voo para um outro País, mudei de nome e de aparência.

Se sou mais feliz?... Não sei... Apenas controlo a minha vida doutra maneira.

CONTINUA

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

O DESAPARECIMENTO


Esta é a história do meu "desaparecimento"...

De quem julgou que morri... De todos aqueles que ainda falam com carinho de mim...

Mesmo daqueles para quem o conhecer-me era dar-me os bons dias e um " como passa? "...

Porque a vida continua e se escolhi não fazer parte da deles... não os posso censurar...

Talvez deva explicar o porquê de ter um dia simplesmente desaparecido...

Cansada, angustiada, desprezada... E, nunca ninguém se devia sentir assim...

Por isso, um dia, abri a porta e parti... Tão simples como isso...

Deixei ficar muitas questões no ar. O porquê, o como, o não acredito...

Mas acreditem: eu fugi e recomecei do nada, noutro local, com pessoas que não me conheciam.


CONTINUA

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

DESCOBERTAS - FIM




" Não sei o que pensas fazer, Joaquim, mas eu vou beber uma ginjinha ao mercado." sugere o Luis quando ficam sozinhos.

" Pensei que tinha deixado isso!" replica o ex-segurança.

" E deixei!" confirma o sócio " Mas este almoço foi dramático e pede medidas extraordinárias." explica.

" Então, vamos lá. Vamos deixar a Letícia em paz." concorda o Joaquim " Não sei o que se passa com ela. Ultimamente, tem estado de um mau humor tal que até os funcionários se estão a queixar."

Em breve, Letícia descobre a razão de tão " mau humor".  Está grávida e a notícia faz com que todos respirem de alívio e lhe perdoem os comentários injustos.

Entusiasmada com a ideia de ser mãe, lança uma nova linhas de bolos própria para futuras mães, chás de bebés e batizados.

Joaquim torna-se aborrecido de tanto falar no filho e o Luis exige ser o padrinho.

Quanto à Esmeralda, concretiza a sua ideia de bolos feitos com mel e ervas aromáticas e segundo o Luis diz, está a ter tanto sucesso que está a pensar em abrir uma casa de chá.

E, o Tadeu abre um novo bar em Lisboa.

O Luis só lamenta o triste destino do Jacinto.


FIM

 



 

domingo, 22 de outubro de 2017

DESCOBERTAS - PARTE V


" Sim, Letícia, tem calma!" aconselha o Luis também irritado " A Esmeralda ainda não sabe bem o que vai fazer e tu estás já a armar confusão."

Letícia senta-se contrariada e mal toca na comida que os outros apreciam imenso.

A Esmeralda responde calmamente às perguntas dos dois homens. Mas pouco fala sobre o passado, embora lhe peça desculpas se os ofendeu de alguma coisa.

Joaquim pergunta-lhe se ainda canta o fado.

" Fado??? " Esmeralda ri-se " Nunca mais! Foi um sonho ridículo e quase me destruí. E, não vale a pena!" acrescenta.

" Mas ajudou-te a definir prioridades!" comenta o Luis.

" Ah, sim, ainda tenho um longo caminho, mas está tudo a correr bem. Não posso é desistir!" responde a antiga fadista.

Letícia não se contém e diz pausadamente:

" Não acredito em ti! Não quero as tuas desculpas, não quero saber do teu negócio, não te quero ver mais! E, NÃO TE ATREVAS A DAR-ME CABO DO NEGÓCIO! ESMAGO-TE!!!" e afastando a cadeira, abandona a mesa e o restaurante.

 Os outros três olham-se, confusos. 

Minutos depois, a Esmeralda pede desculpas e saí também.

CONTINUA

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

DESCOBERTAS - PARTE IV


Para quem tinha tão mau gosto, a Esmeralda está decididamente diferente.

Calças pretas de corte clássico; uma túnica estampada em tons de branco e vermelho e os acessórios em vermelho.

Se está maquilhada, é muito discreta e o corte de cabelo é moderno e assenta-lhe bem ao formato do rosto, repara o Luis.

Em contrapartida, a Letícia exagerou no vestuário e na maquilhagem. 

" O que se passa? " sussurra o Luis, mas o Joaquim abana a cabeça e aconselha baixinho: " Não queira saber..."

" Então, Esmeralda, quais são os teus planos? "  diz alto o Luis.

" Estou a pensar em abrir novamente a banca no Mercado. Com doces, claro, mas vou introduzir algumas mudanças. Vou utilizar ingredientes naturais como o mel, ervas aromáticas..."

" O QUÊ? " interrompe a Letícia, assustando os outros clientes " Vais fazer-me concorrência? " 

Esmeralda fica surpreendida e explica: " Não, não. Não é gourmet; é apenas uma outra forma de fazer bolos. Conheci alguém que cultiva ervas aromáticas e que está interessada em investir noutra maneira de as apresentar no mercado. Mas ainda estou a estudar o assunto." acrescenta.

" Eu já sabia!" explode Letícia " Deste cabo da vida do Jacinto e pelos vistos, do Tadeu e agora, queres dar cabo da minha!" e levanta-se.

Mas Joaquim impede-a, segurando-lhe a mão com força.

" Senta-te já!" ordena.



 CONTINUA

terça-feira, 17 de outubro de 2017

DESCOBERTAS - PARTE III


Esmeralda regressa à pensão discreta onde se hospedou.

Joaquim e Letícia discutem calorosamente. Ele quer ouvir o que a Esmeralda tem para dizer; ela recusa-se.

Quando o Joaquim tem a ousadia de sugerir que a contratem para trabalhar na loja (precisam de uma outra doceira), a Letícia fica muito corada e fecha-se à chave no quarto.

Joaquim suspira e faz a cama no sofá.

Quanto ao Luis Abençoado, vai passear com o cão. A vizinha faz-lhe companhia e passam meia hora a discutirem as raças, os hábitos alimentares e afins dos cães.

Quando regressa a casa, depois de dar de comer ao cão, resolve telefonar ao Tadeu.

Este atende-o à primeira tentativa e fica verdadeiramente surpreendido quando sabe que a Esmeralda regressou à vila.

" Ela está bem? " pergunta " Sim, ela esteve aqui no Bar para me pedir desculpa, mas não disse nada sobre um possível regresso."

" Pois, está cá e já está a armar confusão com a Letícia." confirma o Luis " A Letícia é teimosa, não sei como vamos resolver o assunto. Eu  estarei presente para apaziguar os ânimos. Se bem que não compreenda muito bem o porquê da Esmeralda querer pedir desculpa à Letícia e ao Joaquim..."

Despedem-se e no dia seguinte, como combinado, encontram-se para almoçar na Tasca da Vila.

CONTINUA
 

domingo, 15 de outubro de 2017

DESCOBERTAS - PARTE II


" O passo nove." responde Esmeralda.

" Ah, compreendo!" diz o Luis.

" O que é isso?" indaga a Letícia, mas o Luis interrompe-a: " Estás, então, a pedir desculpa a quem ofendeste?"

" Sim." confirma a antiga doceira " Já falei com o Tadeu; ele ajudou-me muito. Não apresentou queixa quando lhe dei o tiro...."

" O QUÊ?" grita a Letícia " Deste um tiro ao Tadeu? Também nos vais dar um tiro??? É preciso ter lata..."

" Oh, Letícia, tem calma." atalha o Joaquim " Deixa a Esmeralda falar! Isto está a ser difícil para ela...."

" Difícil para ela? E, para mim? " reage a namorada " Encobri-a, ajudei-a na banca e ela quase arruína as nossas vidas...."

Esmeralda começa a chorar e o Luis apressa-se a intervir.

" Calma, muita calma! Estamos todos muito exaltados. É melhor falarmos amanhã! O que dizem?" 

Os outros concordam... 

Está a ser um encontro muito emotivo e precisam realmente de pensar em tudo o que aconteceu.


CONTINUA

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

DESCOBERTAS


" Ai, meu pobre Jacinto!" lamenta-se Esmeralda.

" Meu Pobre Jacinto?" repete, indignada a Letícia " Trataste-o abaixo de cão e dizes isso??? " o que faz com que Esmeralda chore ainda mais.

" Oh, Letícia, tem calma!" aconselha o Joaquim e o Luis abana a cabeça em sinal de concordância.

O relógio marca sete e meia da tarde; a loja está fechada e a Letícia preparava-se para a limpar quando a Esmeralda bateu à porta.

O Joaquim abriu-lhe a porta e estavam os três sentados na cozinha a beber chá e a comer os últimos bolos quando o Luis apareceu.

Não sabem o que pensar ou dizer... Nem sequer sabiam que a Esmeralda tinha regressado e porque é que os procurava agora.

Ela tinha-lhes perguntado pelo Jacinto e quando soube, desatou num pranto que os tinha assustado. Ao Joaquim e ao Luis, porque a Letícia não estava disposta a perdoar nada.

" Diz-me uma coisa, Esmeralda " pergunta Luis, suavemente " O que aconteceu para procurares agora o Jacinto?"

CONTINUA

terça-feira, 10 de outubro de 2017

MORTE SUSPEITA - O FIM


Chama os técnicos e pede igualmente a presença de um colega da Brigada Anti-Roubo.

Lembra-se de uma conversa que teve com o Inspector Guilherme da Brigada há umas semanas e deste lhe ter explicado as várias formas de fazer contrabando de pedras preciosas.

Talvez as tenham escondido nos vasos das rosas; talvez o Jacinto tenha desconfiado de alguma coisa e resolvido averiguar antes de avisar as autoridades.

Ou talvez ele próprio estivesse envolvido.

Toda a gente lhe disse que ele era um homem honesto, mas Leandro não pode rejeitar qualquer hipótese.

Há várias hipóteses a confirmar; terá que trabalhar com a Brigada Anti-Roubo.

O primeiro a interrogar será o Mestre Vicente e falar novamente com o Ernesto não é uma má ideia.

Mas o Bernardes só encontra o Ernesto.  O Mestre Vicente desapareceu sem deixar nova morada.

O que levanta grandes suspeitas...

Coitado do Jacinto! Se calhar, morreu a defender o que achava ser unica e exclusivamente seu:

O jardim...


FIM

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

MORTE SUSPEITA - PARTE V



" Como compreende, este caso é muito delicado." começa o Padre Antunes " Estamos certos de que serão discretos. O Senhor Bispo pediu-me para lhes dizer que estamos à vossa disposição."

" Faça o favor de assegurar o Senhor Bispo que estamos a fazer todas as diligências para sermos rápidos na conclusão do caso." afirma Leandro " Contudo, temos poucas pistas. O Jacinto era estimado."

" Sim, um homem bem educado, bom profissional. Sobretudo, muito discreto." confirma o Padre " Não entendo como isto aconteceu. Ainda por cima, no roseiral, um local que ele não frequentava muito."

" Curioso, já não é a primeira pessoa que me diz isto." confessa Leandro.

" O que é que o roseiral tem de tão especial? " murmura e decide ir ver o dito roseiral.

O roseiral fica ao fundo de uma avenida de árvores majestosas. 

À direita, há um labirinto de sebes bem podadas com um pequeno lago no centro.

Nota-se que há ainda trabalho a fazer. Talvez plantar relva, mas Leandro não entende nada de jardinagem.

O corpo já foi removido e o inspector sabe que recolheram também amostras da terra e as rosas partidas.

" O que sucedeu aqui? O que estavas aqui a fazer, Jacinto?" pergunta Leandro e é então que repara num monte de terra.

Terão sido os técnicos ao retirarem o corpo? Não, o corpo estava no centro do roseiral e aqui é o princípio da avenida.

Aproxima-se e vê qualquer coisa a brilhar.  Tira uma luva do bolso e começa a escavar delicadamente.

Não fica surpreendido quando encontra uma pedra semi-preciosa. 



CONTINUA

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

MORTE SUSPEITA - PARTE IV


" Acho estranho o corpo estar no roseiral. O Jacinto interessava-se mais pelas árvores, pelas ditas exóticas. Também sabia muito sobre orquídeas e até convenceu o Bispo a ter uma estufa própria para isso. " diz Ernesto, mudando de posição " Mas as rosas... não lhe diziam nada. Colaborou com o plano, mas sentia-se que não era a sua paixão."

" Portanto, o facto de aparecer morto no roseiral será uma mensagem? É isso que depreende? Para quem? "  insiste Leandro.

" Isso não sei." afirmou o estagiário com um leve sorriso como quem diz " É a tua área. Descobre!" 

" Quem tratava do roseiral? " pergunta Leandro. Olha-o fixamente e Ernesto volta a sentir-se desconfortável. 

" Eu, às vezes e o Mestre Vicente. É um bom tipo, mas um pouco gabarola. Acha que é tão bom como o Jacinto, mas não sabe nem metade ..." concluí Ernesto.

Leandro não tem mais perguntas e prepara-se para chamar o Mestre Vicente quando o secretário do Bispo pede para falar com ele.


CONTINUA

domingo, 1 de outubro de 2017

MORTE SUSPEITA - PARTE III


Ernesto responde calmamente às perguntas.  

Terá uns 25, 30 anos no máximo, calcula Leandro e pergunta-lhe:

" Como era trabalhar com o Jacinto? "

" Sabia o que estava a fazer, sem dúvida. Lia muito sobre o assunto e estava aberto a novas ideias. Aprendi bastante com ele." acrescenta Ernesto.

" O que quer dizer com novas ideias? " interrompe Leandro.

" Estou a fazer o mestrado em arquitetura paisagística e o Jacinto ouvia-me. Depois expunha-me as ideias dele, explicava-me porque resultava ou vice versa. Isso é importante para a minha tese. Vou sentir a falta dele." diz o estagiário.

" Havia alguma tensão entre ele e os outros trabalhadores? Problemas com família, amigos?" insiste Leandro.

Ernesto suspira e comenta: " Lamento, não sei nada da vida particular dele. Nem sei se tem família... e não notei nada de anormal na relação com os outros trabalhadores. Era exigente, mas isto é um trabalho exigente. O que é estranho..." interrompe-se.

" O que é estranho? " inquire o inspector.

Ernesto fica desconfortável; não sabe se há de falar ou não no assunto. Mas está a falar com a polícia e talvez seja melhor contar tudo.

CONTINUA