sábado, 13 de maio de 2017

A DISCUSSÃO - O FIM


A peça continuava sem aparecer no final do expediente.

A Sofia tinha contactado a UPS e estes pediram imensa desculpa pelo atraso. 

A razão era simples: tinha havido um acidente de viação e o estafeta tinha alterado a rota.

De qualquer maneira, seria entregue naquele dia.  

Apesar de terem na portaria um segurança que receberia a peça, o Fontes decidiu ficar mais algum tempo.

O Arnaldo até sugeriu, malicioso: " Um dia destes, ainda trás uma cama e dorme aqui..."

Todos se riram e a peça, agora designada " a perdição do Fontes" virou objecto de piadas bem-humoradas.

No dia seguinte, o segurança confirmou a recepção da peça, ter entregue ao Fontes, mas não tinha visto este sair.   

" Talvez saísse enquanto estava a fazer a minha ronda." admitiu, o que originou mais uma série de piadas.

De repente, ouviu-se um grito e os passos apressados de alguém a subir a escada que ligava os gabinetes ao armazém.
 
O Arnaldo apareceu no patamar, muito agitado e gritou:

" Alguém chame o 112... O Fontes deve ter tido um ataque, está estendido no meio do chão e não responde.... Corre... Anda lá!" disse à Sofia.

Enquanto a Sofia telefonava, os outros desceram até ao armazém.

O Fontes estava deitado de lado, com uma das mãos segurava uma ferramenta e a outra estava estendida como se quisesse alcançar qualquer coisa.

A Cristina reparou que o telemóvel estava a uns centímetros da mão do Fontes.  "Tentou pedir ajuda!" pensou, sentindo-se culpada, não sabendo bem porquê.

Entretanto, o INEM chegou e após um exame preliminar, transportou o Fontes para o hospital.

" Bem... já passou!" disse Sofia " Mas o que lhe deu para ficar aqui toda a noite? "

" Reparar a Máquina!" disse o Arnaldo, mas a Sofia riu-se: " Não brinques!"

Mas o Arnaldo abanou a cabeça e repetiu: " Ele reparou a Máquina! Está pronta para fazer o ensaio que fazemos antes de entregarmos ao cliente."

E ficaram ali todos parados, a olharem uns para os outros, sem fazerem qualquer comentário.   

Talvez porque não havia nada mais a dizer....

FIM 



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