sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

LEANDRO E O NATAL - PARTE III


" Ok, alguém verificou a informação? " pergunta Leandro, abrindo o processo.

" Oh, inspector, é Natal. Só tomamos conta da ocorrência; ainda não confirmamos nada." responde o Alcides.

"  Pois.... " murmura o inspector " Se alguém tivesse confirmado a informação, saberia que a Travessa do Laço é pouco dada a participar este tipo de ocorrência.... "

Alguém bate à porta do gabinete e o sargento de serviço entra sem esperar resposta.

" Inspector Leandro, descobrimos um corpo na mala do carro. A equipa quer falar com o inspector antes de o remover." 

" Um corpo? " repete Leandro e levanta-se de imediato. O Alcides e o sargento seguem-no, curiosos.

Uns minutos depois, olham os três para o corpo de um homem, com cerca de 30 e poucos anos, que a equipa tira com todo o cuidado e coloca em cima de uma maca.

A máquina dispara e Leandro aproxima-se. A camisa está rasgada e ensopada de sangue, os braços estão cobertos de hematomas e o nariz está partido.

Mas o inspector reconhece-o. É o seu velho amigo, Zé do Laço.

O Zé do Laço de volta à cidade grande? Porquê? O que teria acontecido de tão grave na pequena cidade onde se refugiou para regressar?

" Sabe quem é, inspector? " diz o sargento, lendo correctamente a expressão do inspector.

" Sim, é o Zé do Laço. Fraudes, apostas ilegais, etc. " confirma Leandro e pede para confirmarem as impressões digitais.


CONTINUA

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

LEANDRO E O NATAL - PARTE II


" O quê??? Um carro entrou pela esquadra dentro??? Quando é que foi isso??? " repete Leandro, mas Alcides está tão perturbado que o inspector não pede mais detalhes.

Enfia o casaco, pega nas chaves e desce até à garagem. Meia hora depois, está na esquadra de Benavente e depara com uma cena caricata.

A porta, de vidro, está estilhaçada e o carro parou mesmo em frente ao balcão do atendimento.

O sargento de serviço não sabe o que pensar, está ali parado sem tomar qualquer atitude e fica aliviado quando vê o inspector.

Este aproxima-se do carro e tenta abrir a porta. Mas esta está bloqueada e Leandro olha em volta.

Dir-se-ia que a Fada Má passou por ali e transformou os homens em estátuas de gelo. Ninguém fala, ninguém toma a iniciativa.

" Então? Alguém chamou a equipa forense? " pergunta o Leandro " O carro não veio parar aqui sozinho... Alcides, toma nota da matricula.... E, sargento, chame a equipa de manutenção, alguém tem que limpar isso... " acrescenta.

As ordens são cumpridas rapidamente e Leandro resolve chamar o Sargento Bernardes.

Mas o Bernardes está no Algarve e só volta em Janeiro.

" Talvez o Alcides me possa ajudar..." pensa. Abre a porta do gabinete e pede ao sargento para chamar o Alcides.

Este aparece de bloco na mão. Já sabe que o carro foi roubado naquele manhã do parque de estacionamento do shopping.


CONTINUA

domingo, 24 de dezembro de 2017

LEANDRO E O NATAL


Este ano, o Inspector Leandro não se importa de passar o Natal sozinho.  

Não entende muito bem esta ânsia de querer estar sozinho a meditar, mas está um pouco cansado das pessoas.

Talvez porque viu demasiada maldade... e desconfie de tudo e de todos.

Por isso, não reage quando lhe dizem que estaria de piquete na Véspera.

O pessoal da esquadra vai organizar uma ceia, mas ele prefere ficar em casa, com o telemóvel ligado.

Prepara uma ceia agradável, escolhe como música de fundo uma " Lied" de Schubert e senta-se em frente da lareira a beber um gin-tónico.

Na esquadra, os rapazes devem já estar um pouco bebidos, pensa... e adormece.

Acorda uma hora depois assustado com o telemóvel.

" Sim, o que se passa?.... Calma, Alcides, não estou a perceber nada..." pede.

CONTINUA

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

NATAL



O " Minha Página" vai fazer umas férias....

Vai sonhar com a neve ou partir para um local exótico....

Mas volta na próxima semana.... 

Com uma nova história....

Se começa pelo fim e acaba no princípio.... 

Surpresa....

A todos que me acompanham, um FELIZ NATAL.....



 A foto é minha...
Tirei-a com o telemóvel....

domingo, 17 de dezembro de 2017

A VILA - FIM


Depois de uns minutos de pânico, a Teresa telefonou para o INEM.

Quando este chega, declarou o óbito e, tal como a lei exigia, comunicou o caso à GNR.

A morte do José foi tratada como "morte suspeita" e não como homicido como um dos GNR's disse ao Filipe Paixão.

Mas a Tia Madalena não quis saber; dizia que a Teresa era a culpada, podia negar as vezes que quisesse, mas era amante do Joaquim e os dois eram cúmplices.

O Filipe tentou acalmar os ânimos e chamou-lhe a atenção de que a Teresa estava ausente há mais de um mês e o Joaquim tinha-lhe pedido ajuda para vender o negócio.

O Joaquim e a Renata Sofia tinham decidido que estava na hora de viverem juntos e optaram por comprar uma casa numa vila mais próxima da cidade.

Daí, o Joaquim ter contactado o Filipe para o ajudar na transferência do negócio e na venda da oficina.

" Ah, ah... Acredita nisso, Sr Paixão? "  riu-se a Tia Madalena " Ela nunca me enganou... Aquela sonsa, com a mania de que era artista...."

" A conversa termina aqui." exigiu o Padre António " A Teresa acaba de me dizer que o Joaquim morreu de ataque cardíaco e ao cair, feriu-se na cabeça... Nem mais uma palavra!" acrescentou quando a Tia Madalena abriu novamente a boca.

O Padre sentou-se ao pé do Filipe para beber uma cerveja. A Tia Madalena resolveu ir para casa e aborrecer o marido com a história da Teresa e do Joaquim.

A Teresa trespassou a mercearia e voltou para a cidade.  Soube-se mais tarde que estava a ter bastante sucesso com os bonequinhos e abriu a sua própria loja/galeria.

O Joaquim mudou-se para a nova casa com a Renata Sofia e não regressou mais à vila.

Durante algum tempo, ainda se falava no caso da Teresa e do Joaquim, mas com a chegada de um novo electricista e de um casal que transformou a mercearia num mini-mercado, tudo foi esquecido.

Havia muita coisa a criticar....


FIM

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

A VILA - PARTE VII


" Temos mesmo que falar!" decidiu a Teresa " Falar sem intermediários... Nada de Padre António, Filipe ou Tia Madalena."

Por isso, foi no último autocarro; o José não lhe negaria guarida por uma noite e discutiriam tudo o que havia para discutir.

A mercearia já estava fechada quando chegou, mas também já passava das dezanove horas e não ficou surpreendida.

O que a surpreendeu foi a porta da casa não estar fechada à chave e não haver luzes.

Tocou, mas como o José não atendeu, resolveu entrar com a chave. Felizmente, o José não tinha mudado a fechadura.

Subiu as escadas, não havia luzes na sala nem a televisão estava ligada. 

" Que estranho!" pensou " Se calhar, mudou de hábitos e vê as notícias mais tarde!" 

Como havia luzes na cozinha, foi até lá.

" Olá, Jos... " mas a saudação morreu, pois o marido estava caído no chão e saía sangue de um ferimento na cabeça.

" AI..." o grito espalhou-se pela noite.


CONTINUA

domingo, 10 de dezembro de 2017

A VILA - PARTE VI


Na loja/galeria confirmaram que sim, vendiam à consignação os bonequinhos da Teresa.

Infelizmente, não podiam dar o contacto dela, porque, há cerca de uma semana, dez dias, a Teresa tinha retirado os bonequinhos da galeria e cancelado o contrato.

Ferida com a hesitação do Gonçalo, a Teresa ponderou os prós e contras da situação e resolveu alugar um pequeno estúdio numa outra zona da cidade.

Perto do estúdio, havia uma loja de artesanato que se mostrou interessada na colecção que apresentou e a Teresa não hesitou.

Arregaçou as mangas e começou a preparar uma nova colecção.

Sabia que tinha que resolver a situação com o José, mas estava relutante em voltar à vila.

O José continuava desanimado e, se não fosse o Padre António a dizer-lhe que estava a ser egoísta e não podia pensar só nele, a mercearia continuaria fechada.

Por isso, o José lá abria a loja, controlava as vendas, as entregas do fornecedores, mas pouco mais fazia. Até ao café deixou de ir; ficava em casa a olhar para o espaço.

O Joaquim regressou das mini-férias e não entendeu nenhuma das " bocas " que a Tia Madalena lhe dirigiu.

Queixou-se ao Filipe Paixão, mas este riu-se e disse-lhe para esquecer.

E, ele esqueceu até à noite que a Teresa resolveu visitar o marido.


CONTINUA


sábado, 9 de dezembro de 2017

A VILA - PARTE V


Na vila, o Padre António tentava animar o José que estava ainda de pijama e com a barba por fazer.

Na loja, com o pretexto de dar uma ajuda, a Tia Madalena embelezava a história.

" Quem diria que a Teresa era uma falsa? Deixar assim o homem... A esta altura, ela e o Joaquim estão a rir-se do pobre do homem..." 

Mal ela sabia que o Joaquim estava numa outra cidade a instalar o equipamento de som para actuar naquela noite.

A Renata Sofia ia ter com ele e passariam o fim de semana juntos.

" Não sei como vamos resolver a situação... Não sabemos onde está a Teresa e o José não a quer procurar e esclarecer o assunto." confessou o Padre António ao Filipe Paixão naquela noite ao jantar.

O Filipe tinha ficado surpreendido com o convite do Padre, mas este explicou-lhe que precisava de companhia " sensata".

O "Don Juan" não se considerava uma pessoa sensata; tinha fama de correr atrás de tudo o que tivesse saias, mas o Padre sabia que, por trás daquele charme, havia um homem com princípios e opiniões sólidas.

" Sinceramente, Padre António, não sei o que dizer. Posso tentar localizar a Teresa. Sei que ela vendia as figurinhas que fazia numa loja na cidade; é uma questão de as contactar... Alguém há-de saber alguma coisa." sugeriu.


CONTINUA

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

A VILA - PARTE IV


No dia seguinte, o Joaquim carregou o equipamento de som e partiu para cumprir "compromissos profissionais".

Foi o que bastou para alguém dizer que ia ter com a Teresa.

O Padre António ouviu e aconselhou severamente quem estava presente a reflectir no perigo de " levantar falsos testemunhos".

Mas ninguém prestou atenção, pois a história estava a tornar-se interessante, tanto mais que o José não tinha aberto a mercearia.

Nesse momento, a Teresa contava tudo o que se tinha passado ao Gonçalo que a escutava boquiaberto.

A Teresa estava entusiasmada, cheia de planos e precisou de uns minutos para perceber que Gonçalo estava muito calado, muito distante.

" Não estás contente? " perguntou-lhe e o gerente da loja/galeria fez um esforço para explicar claramente o ponto de vista.

" Não... Quero dizer, os teus planos são fantásticos, mas ...." hesitou, mas a Teresa interrompeu-o de imediato:

" Não queres fazer parte deles.... É isso? " e quando, embaraçado, o Gonçalo acenou que sim, a Teresa teve outra fúria e saiu disparada da loja, gritando:

" NUNCA MAIS ACREDITO EM HOMENS!"

CONTINUA

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A VILA - PARTE III


A Tia Madalena tinha razão num ponto: tanto a Teresa como o José tinham um caso... Mas não era um com o outro.

A Teresa estava envolvida com o gerente da loja/galeria de artesanato onde vendia as suas peças e o José estava apaixonado pela Renata Sofia que conhecera numa festa onde actuou como DJ.

A razão da boleia foi porque se encontram os quatro um dia na entrada do mesmo motel e, como nenhum dos dois queria que houvesse falatório, tiveram que conversar sobre o assunto e decidir uma estratégia.

Entretanto, o Filipe Paixão tentava falar com o José "Electro" sobre o que se tinha passado na mercearia.

Mas o José encolheu os ombros e disse simplesmente:

" O que se espera de um homem que casou tarde e com uma mulher mais nova? Ciúmes idiotas."

" Pois é... A Teresa é boazona!" riu-se o Filipe " Mas não dá trela e olha que eu tentei."

José riu-se também e pensou que talvez não fosse má ideia contar ao Filipe. Mas calou-se e aceitou a cerveja que o outro ofereceu.

O Padre António pedia perdão a Deus, pois tinha vontade de esbofetear o Joaquim.

Este estava cego e surdo para o Mundo e só dizia:

" Ela pensa que me engana... Mas eu sou mais esperto do que ela... Ela vai ver..."

" Oh, Joaquim, tem calma... Descansa e amanhã vais ver a situação doutra maneira e falas novamente com a Teresa." aconselhou o padre.

Mas a Teresa fez uma mala e apanhou o último autocarro para a cidade.

CONTINUA




sábado, 2 de dezembro de 2017

A VILA - PARTE II


A Tia Madalena pode dizer muita coisa, mas a verdade é que toda esta história começou quando o José acusou a Teresa de o trair com o Joaquim "Electro" Pirata.

A Teresa negou veementemente; o Joaquim apenas lhe deu boleia, mas o José não acreditou e partiu alguns dos objectos de barro que ela estava a preparar.

A Teresa enfureceu-se e deitou ao chão as caixas de tomates e peras que tinham recebido naquela manhã.

O José gritou, chamou-lhe " leviana, gastadora" e no meio da confusão, o Joaquim entrou para mudar, como combinado, o fusível do quadro.

O merceeiro atacou verbalmente o Joaquim, que, espantado, sem entender a fúria do outro, nem reagia.

Se não fosse o Filipe Paixão, que, apesar da fama de Don Juan, era um homem ponderado intervir com a ajuda do Padre António, sabe-se lá o que aconteceria.

Isto era a opinião da Tia Madalena, que, a pretexto de ajudar a Teresa, entrou também na mercearia.

" Estava tudo no chão!" contou ela no café mais tarde " Os bonecos que ela faz, os tomates, as peras a rolarem pelo chão... E, o Filipe e o Padre António só diziam para terem calma."

" Oh, Madalena, mas porque é que eles discutiram? " perguntou a Carolina dos Bordados.

" Eles vieram juntos da cidade... Sei que Teresa foi entregar uma encomenda e o Joaquim foi comprar material." sussurrou a Tia Madalena.

CONTINUA

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

A VILA


LISTA DOS PERSONAGENS PRINCIPAIS:

José Tareco - o dono da mercearia da vila

Teresa Tareco - a mulher e artesã

Joaquim " Electro" Pirata - o electricista e DJ nas horas vagas

Filipe Paixão - o "Don Juan" da vila

Tia Madalena - a "sabe tudo"


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" AI...." o grito correu pela noite tranquila, mas ninguém abriu a porta e espreitou.

Sabiam muito bem quem estava a gritar e porquê.

Segundo contava a Tia Madalena, a Teresa merecia tudo o que estava a acontecer.

Ainda bem que o José tinha tomado uma atitude; aquilo era um escândalo...

Ouviu-se uma sirene e todos se interrogaram:

" A policia aqui na vila? A esta hora? Porquê? " mas apenas o Filipe Paixão abriu a porta e, ousado, perguntou a um dos GNR:

" O que aconteceu? "

" Um homicídio. Volte para dentro, se faz o favor." pediu, carrancudo, o GNR.

O Filipe fecha a porta como pedido e liga de imediato à Tia Madalena.

Meia hora depois, toda a vila sabe que houve um homicídio.

Quem assassinou quem?


CONTINUA

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

O ROUBO - FIM


Aos poucos, o Zé Manel organiza o serviço de forma clara e eficiente.

Raramente se fala agora do Meireles e até acham que o ambiente está mais calmo.

Até à noite que o alarme toca...

A empresa de segurança acorre de imediato, mas está tudo tão sossegado que pensa ter sido um curto circuito.

Contudo, resolve fazer uma ronda e verifica que a porta do escritório está apenas fechada no trinco; não está bloqueada como habitualmente.

Avisa a Central que entra em contacto com um dos Gerentes que se desloca até lá.

Percorrem todas as secções sem encontrar qualquer sinal de distúrbio.

" Pode ter sido um curto circuito? " questiona o Gerente, mas estaca ao entrar no Departamento de Contabilidade.

O cofre está aberto e completamente vazio. O segurança pede para ligarem à Polícia e o Director telefona ao Director Financeiro.

Quando sabem no dia seguinte, nem o Gonçalves nem o Zé Manel têm dúvidas de que foi o Meireles quem concebeu o roubo.

O Freitas não quer acreditar e justifica:

" Os códigos de acesso foram modificados logo que ele saiu. E, que eu me lembre, o Meireles raramente entrava aqui no Departamento."

" Há sempre maneiras de contornar os obstáculos... Saberem exactamente onde estava o cofre??? Foi obra de alguém que conhecia os recantos à casa." contraria o Gonçalves e o Zé Manel concorda.

Terá sido mesmo o Meireles? Ou outra pessoa que ainda trabalha com eles?

Persiste a dúvida....

À cautela, o Departamento de Contabilidade passa a ter uma fechadura electrónica, cujo código só é dado aos funcionários que lá trabalham.

A pedido da Gerência, o código de acesso ao escritório é alterado todos os meses.


FIM 
 

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

O ROUBO - PARTE III


Zé Manel não sabe bem o que fazer. Pediu cotações a diversos transportadores e os preços indicados são consideravelmente mais baixos dos que estão nos processos do Meireles.

" Oh, pá, não entendo isto. Contactei 5 transportadores inclusive a que o Meireles utilizava, recebi 5 propostas e a diferença entre elas é de 15 a 20 EUR. Mas... " e abre uma pasta " olha a proposta que o Meireles recebeu há cerca de dois meses para a mesma carga."

Gonçalves examina o documento cuidadosamente bem como o Freitas, o assistente financeiro.

" O Meireles andava a receber por fora? Ou estou a compreender tudo mal? " pergunta o Zé Manel.

" Não, estás certo na tua análise." responde o Gonçalves e o Freitas suspira.

" Já desconfiava disto, mas a gerência quis ter mais provas e quando o Meireles se quis ir embora, aceitaram logo. Para não haver processos disciplinares, advogados, etc.." confessa.

" O que é que eu faço?" repete o técnico administrativo, desesperado.

" Não escolhas nem a mais barata nem a mais cara." aconselha o Freitas 

" E, se obtiveres bons resultados, negoceia um contrato." recomenda o Gonçalves.

CONTINUA


sexta-feira, 24 de novembro de 2017

O ROUBO - PARTE II


A gerência confirma a saída e o Meireles, feliz e contente, começa a passar os processos ao Zé Manel.

O Zé Manel não está nada satisfeito, pois queixa-se que a informação está desorganizada e incompleta.

Além disso, o Meireles confirma muita coisa verbalmente e isso origina uma certa confusão.

Quando confrontado, o Meireles encolhe os ombros e diz, irónico: " Um rapaz tão inteligente como tu resolve isso num instante!!!"

" Recomeça do zero!" aconselha o Gonçalves.

" E, o que faço quando o cliente disser que não combinou aquilo com o Meireles? " pergunta, desesperado, o Zé Manel.

" Pede desculpa, faz nova proposta, combina outras condições de pagamento, desconto." sugere o Gonçalves.

O Zé Manel acalma e decide proceder como o Gonçalves sugere. Há clientes que aceitam as novas propostas, mas outros ainda exigem falar com o Meireles.

Só quando lhes é dito que é impossível, é que concordam em receber as novas propostas.

Por isso, quando o Meireles saí no Natal, todos respiram de alívio.

Mas o pior ainda está para vir.


CONTINUA

 

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

O ROUBO


" Está decidido! No Natal, vou-me embora!" anuncia o Meireles naquela manhã.

" Aos anos que dizes isso! Só acredito quando a gerência me informar!" responde sensatamente o Gonçalves.

Os outros riem. Conhecem muito bem o Meireles; quando se depara com um obstáculo, desiste de imediato e faz grandes discursos sobre o que faria se fosse ele a decidir.

" Não acreditas??? É a pura verdade!" insiste o Meireles, mas o Gonçalves encolhe os ombros.

Está um pouco farto de queixas; principalmente as do Meireles, que está sempre a criticar os outros e é incapaz de admitir que o erro pode ter sido dele.

A única coisa boa é que esquece rapidamente o que diz.

Por isso, quando a gerência confirma que o Meireles vai sair no Natal, o Gonçalves fica estupefacto.

" Tem a certeza? Ele vai mesmo sair no Natal? " repete.

CONTINUA

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

A CONFUSÃO - O FIM


O sócio em Londres não considerou a ausência do Paulo alarmante; talvez tivesse tido uma reunião de negócios fora e não teve tempo de avisar.

" Sem avisar a mulher? " era o que a expressão do Leonardo dizia, mas continuou a ouvir as instruções, sem interromper.

Quando desligou, confidenciou: " Isto está cada vez mais estranho! A mulher não sabe de nada, não recebi qualquer mensagem dele a pedir-me para tomar conta do bar... Este diz para trabalharmos como normalmente...Muito estranho!" 

Encolhi os ombros e voltei para o meu posto. A noite decorreu calma e às oito e meia de manhã, lá estávamos nós no Banco a fazer o depósito das duas noites.

Antes de ir para casa, comprei o jornal e lá estava em letras gordas:

" HOMEM MORTO NA VIELA TRABALHAVA PARA O BANDO DO COMBOIO " e por baixo, a foto do tal indivíduo.


A notícia continuava com o biografia do sujeito, as ligações ao bando e avançava com algumas razões para a morte.

Dizia também que estavam à procura de Paulo Morias, o gerente do Bar Modesto, a poucos metros do local do crime, uma vez que tinha sido a última pessoa a vê-lo com vida.

Quase não dormi a pensar no assunto e qualquer coisa me dizia que o sucedido ainda ia fazer correr muita tinta.

Quando cheguei ao Bar, a Polícia estava lá a fazer uma busca, pois achava que o Paulo também trabalhava para o Bando do Comboio e o bar era apenas uma fachada.

" Bem dizia eu que aquele indivíduo só traria confusão!" desabafei com o Leonardo, mas este nem me respondeu, de tão surpreendido que estava.

FIM



 

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

CONFUSÃO - PARTE IV


Mas o Paulo não apareceu nessa noite...

Felizmente, o Leonardo sabia a password do cofre e pudemos tirar dinheiro.

Ficamos um pouco surpreendidos por ver que o Paulo não tinha depositado o "caixa" do dia anterior.

" Eh, pá, vamos ter que esperar até às oito e meia e depositamos tudo." pediu-me o Leonardo.

" Não será melhor telefonarmos? Ele pode estar só atrasado..." sugeri e o Leonardo fez a chamada do fixo.

" Boa noite, posso falar com o Paulo? É do bar, o Leonardo." disse polidamente.

Quem respondeu também não sabia do Paulo e aconselhou-nos a contactarmos o outro sócio do Paulo.

" Mas esse não está em Londres? " comentei e o Leonardo, tão baralhado como eu, acenou que sim.

Tivemos que vasculhar a secretária do Paulo, mas lá se encontrou o número de telefone do sócio, de quem pouco ou nada sabíamos.

CONTINUA

  

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

A CONFUSÃO . PARTE III


Fui petiscar qualquer coisa com o Leonardo antes de apanhar o Metro.

Quando cheguei a casa, adormeci de imediato e acordei por volta das três da tarde, porque o elevador avariou e o sinal de alarme disparou.

Fiquei mais uns minutos na cama, a pensar na vida. A pensar se devia ou não continuar a trabalhar à noite.

Mas a noite é fascinante e não me adaptaria ao ritmo do dia. Talvez pudesse abrir o meu próprio bar ou uma empresa de segurança.

Tinha que pensar nisso a sério, mas entretanto, o Leonardo telefonou-me e desafiou-me para uma corrida.

Quando regressei, já passava das sete e tive que me apressar, pois ia jantar com a minha Mãe.

Não notei nada de anormal no bar ao picar o ponto às dez. Não estava cheio, ainda era cedo e por isso, resolvi ir até à cozinha.

O Leonardo fez-me sinal de imediato e saímos para o corredor.

" O que foi? " perguntei.

" Sabes, aquele individuo? Aquele que o Paulo foi levar a casa? " e continuou, quando acenei que sim " Apareceu morto na Avenida X!" 

" Morto? Na Avenida X? " repeti, surpreendido porque a dita Avenida era perto do bar. 

"Como? Uma hemorragia interna? Bem disse ao Paulo que o devia levar ao Hospital, mas ele não quis." comentei, enquanto o Leonardo acendia mais um cigarro.

" Andam à procura do Paulo. Ao que parece, o tal indivíduo tinha um cartão do bar no bolso." explicou o barman.

" Andam? Como é que sabes tudo isso? " observei e o Leonardo fez uma careta.

" Conheces a Arlette? Aquela loira que trabalha na loja da Aurora? Assistiu a tudo e contou-me." 

Como a Arlette era uma exagerada e tinha uma relação de amor/ódio com o Leonardo... fiquei, como se costuma dizer, de pé atrás.



CONTINUA

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

CONFUSÃO - PARTE II


Avaliei a cena rapidamente e houve qualquer coisa que não estava bem.

Talvez tenham sido as risadas abafadas dos assistentes ou a expressão irônica da mulher em questão.

Como quem diz: " Oh, por favor, estamos no século passado? O homem está apenas bêbado."

Ajudei-o a levantar e ouvi o gerente dizer:

" Leva-o para o meu gabinete. " e abriu a porta de acesso à parte privada do bar.

" Não será melhor chamar o 112? Deve ter o nariz partido." sugeri, mas o gerente abanou a cabeça.

" Não te preocupes! Deita-o aí no sofá para acalmar um pouco e eu levo-o a casa. Volta para o teu posto!" ordenou.

No bar, já ninguém falava do incidente e o ambiente era festivo.

Voltei ao meu posto à porta, mas estava tudo sossegado.  

Na pausa, fui até à cozinha comer qualquer coisa e beber uma Coca Cola e perguntei se sabiam alguma coisa sobre o individuo e um dos barmen respondeu-me que já devia estar em casa, pois tinha visto o gerente sair com ele.

" E, como é que ele estava?" e o Leonardo deu uma risada: " Bêbado. O Paulo teve que o amparar até ao carro."

Encolhi os ombros e avisei o pessoal de que estava na hora de fechar.

O protesto foi geral, mas não vacilei.

CONTINUA


sexta-feira, 10 de novembro de 2017

A CONFUSÃO


Eu já sabia que isto ia correr mal...

O tipo estava completamente embriagado e só queria armar confusão. Tentei impedir que entrasse, mas ele olhou para mim de alto e disse:

" Sabes quem eu sou? Sou amigo do gerente e posso fazer-te a vida negra..." e, nem de propósito, o gerente apareceu à porta nesse momento e deu entrada livre ao sujeito que me fez um gesto feio.

Estou habituado a gestos feios; fazem parte da vida que levo como segurança e não foi isso verdadeiramente que me aborreceu.

Foi ter aquele pressentimento de que a entrada daquele tipo ia complicar a noite.

E complicou... Há pessoas que não gostam de ser humilhadas, agredidas verbal e fisicamente.

Por isso, quando me chamaram, o tipo estava no chão com o nariz partido, copos e garrafas espalhados pelo chão e dois indivíduos seguravam um outro que gritava:

" DEIXA A MINHA NAMORADA EM PAZ! ACHAS QUE TE PODES METER COM AS MULHERES DOS OUTROS?"

CONTINUA


segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O DESAPARECIMENTO - O FIM


O que decidi depois... não foi justo para ninguém...

Mas tinha que o fazer e o primeiro passo foi contar toda a verdade ao meu marido.

Ele fica boquiaberto, olha-me como se não me conhecesse e, sem dizer palavras, saí de casa.

Engulo em seco; não o posso criticar... Marco a viagem, peço uma licença no trabalho e depois, tento explicar aos meus filhos.

Não consigo... O meu marido, que entra nesse momento, aconselha-me simplesmente a partir.

" Mas...." começo, mas ele interrompe-me suavemente:  

" Dá-nos tempo... Há muita coisa a sentir, a dizer... Depois, falamos contigo." e eu saio.

Não sei o que sinto... Será que vão compreender, perdoar-me?... 

E, a minha irmã? Vai compreender, aceitar as minhas razões para desaparecer assim?

Quando abre a porta da casa dos nossos Pais, olha-me como se eu fosse um fantasma.

" OH, LÍDIA!" e agarra-me fortemente. Para ter a certeza de que sou de carne e osso....

Depois recua e eu sorrio. A bofetada é forte, certeira, mas eu não me atrevo a protestar.

Mereci-a... Talvez as coisas fossem diferentes se tivesse aparecido há mais tempo.

Espero que não seja tarde.  Entro em casa e fecho a porta silenciosamente.

FIM

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

O DESAPARECIMENTO - PARTE III


Através do Facebook, soube que o meu namorado tentou reconstruir os meus passos, encontrou o motorista de táxi, mas este apenas confirmou o que já tinha dito.

Um ano ou dois anos depois, o meu namorado desistiu de me procurar, conheceu outra pessoa e casou-se.

A minha irmã não queria desistir, talvez porque a minha Mãe nunca perdeu a esperança, mas um dia, cansou-se. 

Estava esgotada, física e emocionalmente.

E eu? Nunca me arrependi até hoje quando li no jornal português que assino que a minha Mãe tinha morrido.

Ligo o PC, procuro a página do Face da minha irmã e lá estão várias mensagens de condolências e um breve post de agradecimento.

Fico parada no meio da sala e olho para a praia, sem a ver realmente.

O que é que eu fiz? 

Anos " desaparecida", sem dar notícias e a minha Mãe morreu, sem saber se estou viva ou morta.

A culpa desce na minha cabeça e desato num choro intenso.

CONTINUA   

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

O DESAPARECIMENTO - PARTE II


Claro que elaborei um plano e segui-o à risca.

Sondei os meus contactos e através deles, conheci outras pessoas que me ajudaram a preparar a minha fuga.

Escolhi Agosto para ter uma desculpa plausível e na data prevista de regresso, não apanhei o avião.

A minha irmã estava no Aeroporto, à minha espera e quando não apareci, contactou a polícia, a companhia aérea, a agência de viagens, o hotel.

A informação foi unânime:  paguei um bilhete de ida e volta, estive hospedada naquele hotel a semana inteira e apanhei um táxi para o aeroporto.

O que aconteceu entre o hotel e o aeroporto... ninguém sabe. 

Sei eu...

Apanhei um outro voo para um outro País, mudei de nome e de aparência.

Se sou mais feliz?... Não sei... Apenas controlo a minha vida doutra maneira.

CONTINUA

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

O DESAPARECIMENTO


Esta é a história do meu "desaparecimento"...

De quem julgou que morri... De todos aqueles que ainda falam com carinho de mim...

Mesmo daqueles para quem o conhecer-me era dar-me os bons dias e um " como passa? "...

Porque a vida continua e se escolhi não fazer parte da deles... não os posso censurar...

Talvez deva explicar o porquê de ter um dia simplesmente desaparecido...

Cansada, angustiada, desprezada... E, nunca ninguém se devia sentir assim...

Por isso, um dia, abri a porta e parti... Tão simples como isso...

Deixei ficar muitas questões no ar. O porquê, o como, o não acredito...

Mas acreditem: eu fugi e recomecei do nada, noutro local, com pessoas que não me conheciam.


CONTINUA