sexta-feira, 17 de novembro de 2017

CONFUSÃO - PARTE IV


Mas o Paulo não apareceu nessa noite...

Felizmente, o Leonardo sabia a password do cofre e pudemos tirar dinheiro.

Ficamos um pouco surpreendidos por ver que o Paulo não tinha depositado o "caixa" do dia anterior.

" Eh, pá, vamos ter que esperar até às oito e meia e depositamos tudo." pediu-me o Leonardo.

" Não será melhor telefonarmos? Ele pode estar só atrasado..." sugeri e o Leonardo fez a chamada do fixo.

" Boa noite, posso falar com o Paulo? É do bar, o Leonardo." disse polidamente.

Quem respondeu também não sabia do Paulo e aconselhou-nos a contactarmos o outro sócio do Paulo.

" Mas esse não está em Londres? " comentei e o Leonardo, tão baralhado como eu, acenou que sim.

Tivemos que vasculhar a secretária do Paulo, mas lá se encontrou o número de telefone do sócio, de quem pouco ou nada sabíamos.

CONTINUA

  

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

A CONFUSÃO . PARTE III


Fui petiscar qualquer coisa com o Leonardo antes de apanhar o Metro.

Quando cheguei a casa, adormeci de imediato e acordei por volta das três da tarde, porque o elevador avariou e o sinal de alarme disparou.

Fiquei mais uns minutos na cama, a pensar na vida. A pensar se devia ou não continuar a trabalhar à noite.

Mas a noite é fascinante e não me adaptaria ao ritmo do dia. Talvez pudesse abrir o meu próprio bar ou uma empresa de segurança.

Tinha que pensar nisso a sério, mas entretanto, o Leonardo telefonou-me e desafiou-me para uma corrida.

Quando regressei, já passava das sete e tive que me apressar, pois ia jantar com a minha Mãe.

Não notei nada de anormal no bar ao picar o ponto às dez. Não estava cheio, ainda era cedo e por isso, resolvi ir até à cozinha.

O Leonardo fez-me sinal de imediato e saímos para o corredor.

" O que foi? " perguntei.

" Sabes, aquele individuo? Aquele que o Paulo foi levar a casa? " e continuou, quando acenei que sim " Apareceu morto na Avenida X!" 

" Morto? Na Avenida X? " repeti, surpreendido porque a dita Avenida era perto do bar. 

"Como? Uma hemorragia interna? Bem disse ao Paulo que o devia levar ao Hospital, mas ele não quis." comentei, enquanto o Leonardo acendia mais um cigarro.

" Andam à procura do Paulo. Ao que parece, o tal indivíduo tinha um cartão do bar no bolso." explicou o barman.

" Andam? Como é que sabes tudo isso? " observei e o Leonardo fez uma careta.

" Conheces a Arlette? Aquela loira que trabalha na loja da Aurora? Assistiu a tudo e contou-me." 

Como a Arlette era uma exagerada e tinha uma relação de amor/ódio com o Leonardo... fiquei, como se costuma dizer, de pé atrás.



CONTINUA

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

CONFUSÃO - PARTE II


Avaliei a cena rapidamente e houve qualquer coisa que não estava bem.

Talvez tenham sido as risadas abafadas dos assistentes ou a expressão irônica da mulher em questão.

Como quem diz: " Oh, por favor, estamos no século passado? O homem está apenas bêbado."

Ajudei-o a levantar e ouvi o gerente dizer:

" Leva-o para o meu gabinete. " e abriu a porta de acesso à parte privada do bar.

" Não será melhor chamar o 112? Deve ter o nariz partido." sugeri, mas o gerente abanou a cabeça.

" Não te preocupes! Deita-o aí no sofá para acalmar um pouco e eu levo-o a casa. Volta para o teu posto!" ordenou.

No bar, já ninguém falava do incidente e o ambiente era festivo.

Voltei ao meu posto à porta, mas estava tudo sossegado.  

Na pausa, fui até à cozinha comer qualquer coisa e beber uma Coca Cola e perguntei se sabiam alguma coisa sobre o individuo e um dos barmen respondeu-me que já devia estar em casa, pois tinha visto o gerente sair com ele.

" E, como é que ele estava?" e o Leonardo deu uma risada: " Bêbado. O Paulo teve que o amparar até ao carro."

Encolhi os ombros e avisei o pessoal de que estava na hora de fechar.

O protesto foi geral, mas não vacilei.

CONTINUA


sexta-feira, 10 de novembro de 2017

A CONFUSÃO


Eu já sabia que isto ia correr mal...

O tipo estava completamente embriagado e só queria armar confusão. Tentei impedir que entrasse, mas ele olhou para mim de alto e disse:

" Sabes quem eu sou? Sou amigo do gerente e posso fazer-te a vida negra..." e, nem de propósito, o gerente apareceu à porta nesse momento e deu entrada livre ao sujeito que me fez um gesto feio.

Estou habituado a gestos feios; fazem parte da vida que levo como segurança e não foi isso verdadeiramente que me aborreceu.

Foi ter aquele pressentimento de que a entrada daquele tipo ia complicar a noite.

E complicou... Há pessoas que não gostam de ser humilhadas, agredidas verbal e fisicamente.

Por isso, quando me chamaram, o tipo estava no chão com o nariz partido, copos e garrafas espalhados pelo chão e dois indivíduos seguravam um outro que gritava:

" DEIXA A MINHA NAMORADA EM PAZ! ACHAS QUE TE PODES METER COM AS MULHERES DOS OUTROS?"

CONTINUA


segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O DESAPARECIMENTO - O FIM


O que decidi depois... não foi justo para ninguém...

Mas tinha que o fazer e o primeiro passo foi contar toda a verdade ao meu marido.

Ele fica boquiaberto, olha-me como se não me conhecesse e, sem dizer palavras, saí de casa.

Engulo em seco; não o posso criticar... Marco a viagem, peço uma licença no trabalho e depois, tento explicar aos meus filhos.

Não consigo... O meu marido, que entra nesse momento, aconselha-me simplesmente a partir.

" Mas...." começo, mas ele interrompe-me suavemente:  

" Dá-nos tempo... Há muita coisa a sentir, a dizer... Depois, falamos contigo." e eu saio.

Não sei o que sinto... Será que vão compreender, perdoar-me?... 

E, a minha irmã? Vai compreender, aceitar as minhas razões para desaparecer assim?

Quando abre a porta da casa dos nossos Pais, olha-me como se eu fosse um fantasma.

" OH, LÍDIA!" e agarra-me fortemente. Para ter a certeza de que sou de carne e osso....

Depois recua e eu sorrio. A bofetada é forte, certeira, mas eu não me atrevo a protestar.

Mereci-a... Talvez as coisas fossem diferentes se tivesse aparecido há mais tempo.

Espero que não seja tarde.  Entro em casa e fecho a porta silenciosamente.

FIM

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

O DESAPARECIMENTO - PARTE III


Através do Facebook, soube que o meu namorado tentou reconstruir os meus passos, encontrou o motorista de táxi, mas este apenas confirmou o que já tinha dito.

Um ano ou dois anos depois, o meu namorado desistiu de me procurar, conheceu outra pessoa e casou-se.

A minha irmã não queria desistir, talvez porque a minha Mãe nunca perdeu a esperança, mas um dia, cansou-se. 

Estava esgotada, física e emocionalmente.

E eu? Nunca me arrependi até hoje quando li no jornal português que assino que a minha Mãe tinha morrido.

Ligo o PC, procuro a página do Face da minha irmã e lá estão várias mensagens de condolências e um breve post de agradecimento.

Fico parada no meio da sala e olho para a praia, sem a ver realmente.

O que é que eu fiz? 

Anos " desaparecida", sem dar notícias e a minha Mãe morreu, sem saber se estou viva ou morta.

A culpa desce na minha cabeça e desato num choro intenso.

CONTINUA   

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

O DESAPARECIMENTO - PARTE II


Claro que elaborei um plano e segui-o à risca.

Sondei os meus contactos e através deles, conheci outras pessoas que me ajudaram a preparar a minha fuga.

Escolhi Agosto para ter uma desculpa plausível e na data prevista de regresso, não apanhei o avião.

A minha irmã estava no Aeroporto, à minha espera e quando não apareci, contactou a polícia, a companhia aérea, a agência de viagens, o hotel.

A informação foi unânime:  paguei um bilhete de ida e volta, estive hospedada naquele hotel a semana inteira e apanhei um táxi para o aeroporto.

O que aconteceu entre o hotel e o aeroporto... ninguém sabe. 

Sei eu...

Apanhei um outro voo para um outro País, mudei de nome e de aparência.

Se sou mais feliz?... Não sei... Apenas controlo a minha vida doutra maneira.

CONTINUA

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

O DESAPARECIMENTO


Esta é a história do meu "desaparecimento"...

De quem julgou que morri... De todos aqueles que ainda falam com carinho de mim...

Mesmo daqueles para quem o conhecer-me era dar-me os bons dias e um " como passa? "...

Porque a vida continua e se escolhi não fazer parte da deles... não os posso censurar...

Talvez deva explicar o porquê de ter um dia simplesmente desaparecido...

Cansada, angustiada, desprezada... E, nunca ninguém se devia sentir assim...

Por isso, um dia, abri a porta e parti... Tão simples como isso...

Deixei ficar muitas questões no ar. O porquê, o como, o não acredito...

Mas acreditem: eu fugi e recomecei do nada, noutro local, com pessoas que não me conheciam.


CONTINUA

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

DESCOBERTAS - FIM




" Não sei o que pensas fazer, Joaquim, mas eu vou beber uma ginjinha ao mercado." sugere o Luis quando ficam sozinhos.

" Pensei que tinha deixado isso!" replica o ex-segurança.

" E deixei!" confirma o sócio " Mas este almoço foi dramático e pede medidas extraordinárias." explica.

" Então, vamos lá. Vamos deixar a Letícia em paz." concorda o Joaquim " Não sei o que se passa com ela. Ultimamente, tem estado de um mau humor tal que até os funcionários se estão a queixar."

Em breve, Letícia descobre a razão de tão " mau humor".  Está grávida e a notícia faz com que todos respirem de alívio e lhe perdoem os comentários injustos.

Entusiasmada com a ideia de ser mãe, lança uma nova linhas de bolos própria para futuras mães, chás de bebés e batizados.

Joaquim torna-se aborrecido de tanto falar no filho e o Luis exige ser o padrinho.

Quanto à Esmeralda, concretiza a sua ideia de bolos feitos com mel e ervas aromáticas e segundo o Luis diz, está a ter tanto sucesso que está a pensar em abrir uma casa de chá.

E, o Tadeu abre um novo bar em Lisboa.

O Luis só lamenta o triste destino do Jacinto.


FIM

 



 

domingo, 22 de outubro de 2017

DESCOBERTAS - PARTE V


" Sim, Letícia, tem calma!" aconselha o Luis também irritado " A Esmeralda ainda não sabe bem o que vai fazer e tu estás já a armar confusão."

Letícia senta-se contrariada e mal toca na comida que os outros apreciam imenso.

A Esmeralda responde calmamente às perguntas dos dois homens. Mas pouco fala sobre o passado, embora lhe peça desculpas se os ofendeu de alguma coisa.

Joaquim pergunta-lhe se ainda canta o fado.

" Fado??? " Esmeralda ri-se " Nunca mais! Foi um sonho ridículo e quase me destruí. E, não vale a pena!" acrescenta.

" Mas ajudou-te a definir prioridades!" comenta o Luis.

" Ah, sim, ainda tenho um longo caminho, mas está tudo a correr bem. Não posso é desistir!" responde a antiga fadista.

Letícia não se contém e diz pausadamente:

" Não acredito em ti! Não quero as tuas desculpas, não quero saber do teu negócio, não te quero ver mais! E, NÃO TE ATREVAS A DAR-ME CABO DO NEGÓCIO! ESMAGO-TE!!!" e afastando a cadeira, abandona a mesa e o restaurante.

 Os outros três olham-se, confusos. 

Minutos depois, a Esmeralda pede desculpas e saí também.

CONTINUA

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

DESCOBERTAS - PARTE IV


Para quem tinha tão mau gosto, a Esmeralda está decididamente diferente.

Calças pretas de corte clássico; uma túnica estampada em tons de branco e vermelho e os acessórios em vermelho.

Se está maquilhada, é muito discreta e o corte de cabelo é moderno e assenta-lhe bem ao formato do rosto, repara o Luis.

Em contrapartida, a Letícia exagerou no vestuário e na maquilhagem. 

" O que se passa? " sussurra o Luis, mas o Joaquim abana a cabeça e aconselha baixinho: " Não queira saber..."

" Então, Esmeralda, quais são os teus planos? "  diz alto o Luis.

" Estou a pensar em abrir novamente a banca no Mercado. Com doces, claro, mas vou introduzir algumas mudanças. Vou utilizar ingredientes naturais como o mel, ervas aromáticas..."

" O QUÊ? " interrompe a Letícia, assustando os outros clientes " Vais fazer-me concorrência? " 

Esmeralda fica surpreendida e explica: " Não, não. Não é gourmet; é apenas uma outra forma de fazer bolos. Conheci alguém que cultiva ervas aromáticas e que está interessada em investir noutra maneira de as apresentar no mercado. Mas ainda estou a estudar o assunto." acrescenta.

" Eu já sabia!" explode Letícia " Deste cabo da vida do Jacinto e pelos vistos, do Tadeu e agora, queres dar cabo da minha!" e levanta-se.

Mas Joaquim impede-a, segurando-lhe a mão com força.

" Senta-te já!" ordena.



 CONTINUA

terça-feira, 17 de outubro de 2017

DESCOBERTAS - PARTE III


Esmeralda regressa à pensão discreta onde se hospedou.

Joaquim e Letícia discutem calorosamente. Ele quer ouvir o que a Esmeralda tem para dizer; ela recusa-se.

Quando o Joaquim tem a ousadia de sugerir que a contratem para trabalhar na loja (precisam de uma outra doceira), a Letícia fica muito corada e fecha-se à chave no quarto.

Joaquim suspira e faz a cama no sofá.

Quanto ao Luis Abençoado, vai passear com o cão. A vizinha faz-lhe companhia e passam meia hora a discutirem as raças, os hábitos alimentares e afins dos cães.

Quando regressa a casa, depois de dar de comer ao cão, resolve telefonar ao Tadeu.

Este atende-o à primeira tentativa e fica verdadeiramente surpreendido quando sabe que a Esmeralda regressou à vila.

" Ela está bem? " pergunta " Sim, ela esteve aqui no Bar para me pedir desculpa, mas não disse nada sobre um possível regresso."

" Pois, está cá e já está a armar confusão com a Letícia." confirma o Luis " A Letícia é teimosa, não sei como vamos resolver o assunto. Eu  estarei presente para apaziguar os ânimos. Se bem que não compreenda muito bem o porquê da Esmeralda querer pedir desculpa à Letícia e ao Joaquim..."

Despedem-se e no dia seguinte, como combinado, encontram-se para almoçar na Tasca da Vila.

CONTINUA
 

domingo, 15 de outubro de 2017

DESCOBERTAS - PARTE II


" O passo nove." responde Esmeralda.

" Ah, compreendo!" diz o Luis.

" O que é isso?" indaga a Letícia, mas o Luis interrompe-a: " Estás, então, a pedir desculpa a quem ofendeste?"

" Sim." confirma a antiga doceira " Já falei com o Tadeu; ele ajudou-me muito. Não apresentou queixa quando lhe dei o tiro...."

" O QUÊ?" grita a Letícia " Deste um tiro ao Tadeu? Também nos vais dar um tiro??? É preciso ter lata..."

" Oh, Letícia, tem calma." atalha o Joaquim " Deixa a Esmeralda falar! Isto está a ser difícil para ela...."

" Difícil para ela? E, para mim? " reage a namorada " Encobri-a, ajudei-a na banca e ela quase arruína as nossas vidas...."

Esmeralda começa a chorar e o Luis apressa-se a intervir.

" Calma, muita calma! Estamos todos muito exaltados. É melhor falarmos amanhã! O que dizem?" 

Os outros concordam... 

Está a ser um encontro muito emotivo e precisam realmente de pensar em tudo o que aconteceu.


CONTINUA

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

DESCOBERTAS


" Ai, meu pobre Jacinto!" lamenta-se Esmeralda.

" Meu Pobre Jacinto?" repete, indignada a Letícia " Trataste-o abaixo de cão e dizes isso??? " o que faz com que Esmeralda chore ainda mais.

" Oh, Letícia, tem calma!" aconselha o Joaquim e o Luis abana a cabeça em sinal de concordância.

O relógio marca sete e meia da tarde; a loja está fechada e a Letícia preparava-se para a limpar quando a Esmeralda bateu à porta.

O Joaquim abriu-lhe a porta e estavam os três sentados na cozinha a beber chá e a comer os últimos bolos quando o Luis apareceu.

Não sabem o que pensar ou dizer... Nem sequer sabiam que a Esmeralda tinha regressado e porque é que os procurava agora.

Ela tinha-lhes perguntado pelo Jacinto e quando soube, desatou num pranto que os tinha assustado. Ao Joaquim e ao Luis, porque a Letícia não estava disposta a perdoar nada.

" Diz-me uma coisa, Esmeralda " pergunta Luis, suavemente " O que aconteceu para procurares agora o Jacinto?"

CONTINUA

terça-feira, 10 de outubro de 2017

MORTE SUSPEITA - O FIM


Chama os técnicos e pede igualmente a presença de um colega da Brigada Anti-Roubo.

Lembra-se de uma conversa que teve com o Inspector Guilherme da Brigada há umas semanas e deste lhe ter explicado as várias formas de fazer contrabando de pedras preciosas.

Talvez as tenham escondido nos vasos das rosas; talvez o Jacinto tenha desconfiado de alguma coisa e resolvido averiguar antes de avisar as autoridades.

Ou talvez ele próprio estivesse envolvido.

Toda a gente lhe disse que ele era um homem honesto, mas Leandro não pode rejeitar qualquer hipótese.

Há várias hipóteses a confirmar; terá que trabalhar com a Brigada Anti-Roubo.

O primeiro a interrogar será o Mestre Vicente e falar novamente com o Ernesto não é uma má ideia.

Mas o Bernardes só encontra o Ernesto.  O Mestre Vicente desapareceu sem deixar nova morada.

O que levanta grandes suspeitas...

Coitado do Jacinto! Se calhar, morreu a defender o que achava ser unica e exclusivamente seu:

O jardim...


FIM

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

MORTE SUSPEITA - PARTE V



" Como compreende, este caso é muito delicado." começa o Padre Antunes " Estamos certos de que serão discretos. O Senhor Bispo pediu-me para lhes dizer que estamos à vossa disposição."

" Faça o favor de assegurar o Senhor Bispo que estamos a fazer todas as diligências para sermos rápidos na conclusão do caso." afirma Leandro " Contudo, temos poucas pistas. O Jacinto era estimado."

" Sim, um homem bem educado, bom profissional. Sobretudo, muito discreto." confirma o Padre " Não entendo como isto aconteceu. Ainda por cima, no roseiral, um local que ele não frequentava muito."

" Curioso, já não é a primeira pessoa que me diz isto." confessa Leandro.

" O que é que o roseiral tem de tão especial? " murmura e decide ir ver o dito roseiral.

O roseiral fica ao fundo de uma avenida de árvores majestosas. 

À direita, há um labirinto de sebes bem podadas com um pequeno lago no centro.

Nota-se que há ainda trabalho a fazer. Talvez plantar relva, mas Leandro não entende nada de jardinagem.

O corpo já foi removido e o inspector sabe que recolheram também amostras da terra e as rosas partidas.

" O que sucedeu aqui? O que estavas aqui a fazer, Jacinto?" pergunta Leandro e é então que repara num monte de terra.

Terão sido os técnicos ao retirarem o corpo? Não, o corpo estava no centro do roseiral e aqui é o princípio da avenida.

Aproxima-se e vê qualquer coisa a brilhar.  Tira uma luva do bolso e começa a escavar delicadamente.

Não fica surpreendido quando encontra uma pedra semi-preciosa. 



CONTINUA

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

MORTE SUSPEITA - PARTE IV


" Acho estranho o corpo estar no roseiral. O Jacinto interessava-se mais pelas árvores, pelas ditas exóticas. Também sabia muito sobre orquídeas e até convenceu o Bispo a ter uma estufa própria para isso. " diz Ernesto, mudando de posição " Mas as rosas... não lhe diziam nada. Colaborou com o plano, mas sentia-se que não era a sua paixão."

" Portanto, o facto de aparecer morto no roseiral será uma mensagem? É isso que depreende? Para quem? "  insiste Leandro.

" Isso não sei." afirmou o estagiário com um leve sorriso como quem diz " É a tua área. Descobre!" 

" Quem tratava do roseiral? " pergunta Leandro. Olha-o fixamente e Ernesto volta a sentir-se desconfortável. 

" Eu, às vezes e o Mestre Vicente. É um bom tipo, mas um pouco gabarola. Acha que é tão bom como o Jacinto, mas não sabe nem metade ..." concluí Ernesto.

Leandro não tem mais perguntas e prepara-se para chamar o Mestre Vicente quando o secretário do Bispo pede para falar com ele.


CONTINUA

domingo, 1 de outubro de 2017

MORTE SUSPEITA - PARTE III


Ernesto responde calmamente às perguntas.  

Terá uns 25, 30 anos no máximo, calcula Leandro e pergunta-lhe:

" Como era trabalhar com o Jacinto? "

" Sabia o que estava a fazer, sem dúvida. Lia muito sobre o assunto e estava aberto a novas ideias. Aprendi bastante com ele." acrescenta Ernesto.

" O que quer dizer com novas ideias? " interrompe Leandro.

" Estou a fazer o mestrado em arquitetura paisagística e o Jacinto ouvia-me. Depois expunha-me as ideias dele, explicava-me porque resultava ou vice versa. Isso é importante para a minha tese. Vou sentir a falta dele." diz o estagiário.

" Havia alguma tensão entre ele e os outros trabalhadores? Problemas com família, amigos?" insiste Leandro.

Ernesto suspira e comenta: " Lamento, não sei nada da vida particular dele. Nem sei se tem família... e não notei nada de anormal na relação com os outros trabalhadores. Era exigente, mas isto é um trabalho exigente. O que é estranho..." interrompe-se.

" O que é estranho? " inquire o inspector.

Ernesto fica desconfortável; não sabe se há de falar ou não no assunto. Mas está a falar com a polícia e talvez seja melhor contar tudo.

CONTINUA

terça-feira, 26 de setembro de 2017

MORTE SUSPEITA - PARTE II


Mas a Esmeralda está a gozar um momento zen e nem sequer pensa no Jacinto.

Por isso, quem matou o Jacinto? E, porquê?

Ninguém sabe e o Inspector Leandro está preocupado.

Informaram-no sobre a rivalidade entre o Jacinto e o Falcão, o chefe da segurança, mas este desvaloriza a situação.

" Havia o problema dos horários; o Jacinto dizia que a jardinagem não tem um horário fixo e eu tenho um plano a cumprir. " explica o Falcão " Não se trata de rivalidade, mas sim, de objectivos diferentes. Tivemos, sim, uma discussão por causa disso, mas chegamos a um acordo. Ia matar o homem, porquê?" remata.

O Inspector concorda com ele e fala com os outros membros da equipa.

A opinião é geral: o Jacinto era um homem justo, sempre atento ao pormenor e exigente.

" Mas a jardinagem era a paixão dele... Lia tudo sobre o assunto e estava a tentar convencer o bispo a investir em orquídeas." conta o Eduardo, o aprendiz.

" Namoradas, amigas?" interrompe Leandro.

" Não, não lhe conheço ninguém." responde o aprendiz, pensativo 

" Mas não recebia visitas?" insiste Leandro, mas o aprendiz abana a cabeça. Vive fora da propriedade e, como só tem 18 anos, não se mistura com os tipos mais velhos.

Leandro deixa-o ir e pede para falar com o estagiário.


CONTINUA

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

MORTE SUSPEITA


"
MORTE SUSPEITA NOS JARDINS DO BISPO

Esta manhã, os jardineiros ao serviço do bispado depararam-se com um corpo no roseiral.
Trata-se de um homem com cerca de 35, 40 anos que aparentava sinais de espancamento om um objecto ainda não identificado.

Contudo, suspeita-se que seja o Chefe da Equipa de Jardinagem, Jacinto Almeida, mais conhecido por Jacinto Jardineiro.

A polícia está a investigar várias pistas, sendo que o motivo do acontecimento e o facto do corpo ter sido deixado no roseiral está a intrigar as autoridades.

O que foi dito é que Jacinto Jardineiro era um homem afável, trabalhador, mas um pouco solitário.

"

" OH, OH!!!" exclama Letícia, incrédula " O Jacinto... o Jacinto está morto! Oh, Joaquim, o que terá acontecido???" e o Joaquim, que cobiçava o último pedaço de torrada, esquece-a por completo, tal é o espanto.

" O quê??? O Jacinto? O Jacinto que eu conheço... está morto???" pergunta Luis Abençoado ao cão que lhe põe a pata no joelho num gesto solitário.

A primeira reacção do Tadeu Policarpo é " Bem feito!" ainda a lembrar-se da sova que ele lhe deu, mas arrepende-se de imediato.

Coitado, o homem estava magoado com o facto dele, Tadeu, lhe ter roubado a namorada.

" Terá sido a Esmeralda?" pensa.


CONTINUA

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

ABENÇOADO - FIM


A Letícia tem razão.

O Jacinto encontrou o Tadeu e a Esmeralda aos beijos em plena rua em Lisboa e chovem insultos e socos.

Conclusão: O Tadeu e a Esmeralda ficam em Lisboa e o Jacinto, que parece estar mais envergonhado que os " traidores", resolve aceitar o convite do Bispo e fica em Lamego.

Sei disto porque resolvo visitar o pobre rapaz e dar-lhe um pouco de conforto.

Mas, embora pareça estar satisfeito com a minha visita, sinto que quer distância do passado.

Por isso, volto a casa, um pouco desiludido por não o conseguir ajudar.

Mas posso ajudar a Letícia e o Joaquim com a sua loja gourmet.

Empresto-lhes o capital necessário para o fazerem e estão a ter um grande sucesso.

O Joaquim está a acabar o curso de Gestão e Marketing e a Letícia resolveu frequentar um Curso de Culinária, pois o objectivo a longo prazo é abrir um catering.

Pagam-me todos os meses uma quantia para reduzir o valor do empréstimo e estão felizes.

Eu?

Eu estou mais interessado na vida, se bem que, às vezes, lembro-me de tudo o que me aconteceu e bebo demais.


FIM

domingo, 17 de setembro de 2017

ABENÇOADO - PARTE IV


Começo a jantar uma ou duas vez por semana com eles. 

São pessoas bem educadas, simpáticas, com planos para a vida e sinto-me um privilegiado por os partilharem comigo.

Também apareço no escritório com mais frequência e até fecho dois negócios razoáveis.

Claro que quando bebo demais, faço "gazeta", mas isso já não está a acontecer tão frequentemente.

Naquele fim de semana, o Tadeu anuncia os seus planos de viagem. Vai até Lisboa com a Esmeralda; tem uma reunião com um dos seus contactos do " Mundo da Música" como diz e " quem sabe? se não será a grande oportunidade da Esmeralda? "

O Jacinto não está muito satisfeito, nota-se, mas como tem um serviço em Lamego, não os pode acompanhar.

" Isto vai explodir!" confidencia a Letícia no dia seguinte.

" Não quero saber!" afirma o Joaquim " Eles que se entendam... Que se matem uns aos outros, mas que nos deixem em paz!"

" Concordo contigo! Mas não sei quem é mais parvo... Não acredito que o Tadeu tenha contactos no Mundo da Música." repito.

CONTINUA

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

ABENÇOADO - PARTE III


A porta do camarim da Esmeralda é fechado com estrondo e nós escapulimo-nos.

Sento-me no local mais sossegado do bar e pergunto:

" Há quanto tempo dura isto? " e a Letícia suspira antes de confessar: 

" Desde que ela começou a cantar aqui... Ainda por cima, o Tadeu disse-lhe que tem contactos numa editora e lhe pode arranjar uma audição."

" E, tem? " questiono, mas a Letícia abana a cabeça.

" A única coisa que sei é que o Jacinto não gosta da ideia.... Mudando de assunto, quer jantar comigo e com o Joaquim amanhã? No K, por volta das sete da tarde? " convida.

Fico surpreendido com o convite, mas aceito e não sei se é por isso que, no dia seguinte apareço a uma hora escandalosa no escritório.

Onze horas da manhã! Ficam todos a olhar para mim, ainda mais porque peço para ver os novos projectos, dou uma ou duas sugestões e revejo os antigos.

Às sete da tarde, estou já sentado a uma mesa no K, com uma cerveja na mão.

A Letícia e o Joaquim aparecem pouco depois e o jantar é muito agradável.


CONTINUA

terça-feira, 12 de setembro de 2017

ABENÇOADO - PARTE II


O Tadeu até nem é má pessoa, mas ficou parvo quando conheceu a Esmeralda, aspirante a fadista.

Loira, roliça com um ar tão frágil que o Tadeu a quis proteger.  

Por isso, ao regressar de uma visita à casa de banho, tropeço e quase caio se não fosse a Letícia segurar-me.

" O que fazes aqui, rapariga? " pergunto, pois este corredor é interdito ao pessoal do bar durante o espectáculo.

" Shh..." sussurra e puxa-me para um camarim vazio. Apaga as luzes, deixa uma nesga da porta aberta e esperamos.

Tento falar, mas a Letícia pede-me silêncio. E, esperamos os dois, sei lá por quem ou quê.

O Tadeu aparece, vindo do corredor que leva ao escritório, vestiário do pessoal e armazém.

Uns segundos depois, a Esmeralda (a artista da noite) desce as escadas de serviço e ao ver o Tadeu, suspira:

" Ai, meu amor, esperei todo o dia por este momento!" e os dois beijam-se com tal sofreguidão que eu fico assustado.

" O Jacinto vem cá este noite? " indaga o Tadeu.

" Não, tem uns planos para rever. Podemos ficar juntos a noite toda. Disse - lhe que ficava em casa da Letícia." responde Esmeralda.

" Mentirosa!" murmura a minha companheira do crime.

CONTINUA

sábado, 9 de setembro de 2017

ABENÇOADO


Abençoado... Que raio de nome, principalmente porque não me sinto nada abençoado!

Não, não estou a falar de traumas de infância... Foi normal com uns pais atentos, carinhosos, mas que sabiam impor limites.

Tirei o curso que quis; abri a empresa e conheci a Beatriz por quem me apaixonei loucamente e com quem casei. 

E, uma noite, depois de uma noite divertida, perdi o controlo do carro, fui de encontro a uma árvore e a Beatriz teve morte imediata.

Foi depois de sair do hospital que comecei a beber. Mais do que devia... Não o suficiente para ficar bêbado, mas muito alegre.

Tive a sorte de conhecer a Letícia Violeta e o Joaquim Tacanho que tentaram manter-me nos eixos.

A Letícia limpava-me a casa de vez em quando e deixava-me comida feita no frigorífico e o Joaquim Tacanho fez um acordo com um taxista para me levar a casa quando via que eu já não estava em condições de guiar.

Nunca me pediram dinheiro; pelo contrário, sempre o recusaram.

Nada como o Tadeu que tenho a impressão de que, e se a Letícia não estivesse com atenção, cobrava-me o dobro do preço...

CONTINUA

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

TADEU - FIM


Tadeu desmaia e quando acorda, está no Hospital.

Não tem nada partido; por precaução, uma vez que os ligamentos estão doridos, aconselham que mantenha o braço ligado e não faça esforços por uns dias.

E, o que aconteceu a Esmeralda? Pensa enquanto o barman o leva a casa.

" Sabes alguma coisa da maluca que apareceu no bar?" pergunta-lhe.

" O Gonçalves diz que ela enfrenta uma série de acusações: invasão de propriedade, posse de arma de fogo não declarada e ataque a terceiros. O chefe vai ter que falar com a polícia." explica o barman.

Tadeu sobe a escada com esforço. O elevador está em manutenção e, como não tem horários normais, não gosta de fazer barulho e acordar os vizinhos.

" Ah, Esmeralda, Esmeralda, o que faço agora?" sussurra.

Tem que avançar com a queixa; há duas testemunhas que assistiram ao incidente e têm o direito de trabalhar num sítio seguro.

Seria um pouco estranho ele desistir da queixa e talvez seja o que a Esmeralda precise para enfrentar a realidade.

Esmeralda fica com pena suspensa e uma das exigências do acordo é entrar num programa de reabilitação.

Tadeu visita-a e aconselha-a a voltar à profissão de doceira.

" Até podes frequentar workshops e aperfeiçoar o Bolo de Kiev.... Aproveita a oportunidade, Esmeralda; esquece esse sonho maluco de seres fadista."

Mas Esmeralda olha-o desconfiada. Afinal, foi por causa das promessas dele que tudo isto aconteceu.

Por isso, pede-lhe para sair e Tadeu regressa ao bar, derrotado.

Meses depois, sabe que Esmeralda voltou para a terra e reabriu a banca de bolos.

Quem lho diz é o Luis Abençoado que decidiu fazer uma visita aos bares da capital.

E aqui está ele a beber um gin duplo e a contar as novidades.

" Oh, Abençoado, diga-me uma coisa..." pergunta o Tadeu " Abençoado é mesmo o seu nome? "

Mas Luis não lhe responde.  A sua história é apenas sua...

Ele só veio contar as novidades...


FIM

domingo, 3 de setembro de 2017

TADEU - PARTE III


Atravessa o corredor e quando abre a porta de acesso ao bar, ouve a voz da Esmeralda a gritar:

" SERVE-ME UMA BEBIDA, IDIOTA.... BEM SERVIDA, NÃO SABES O QUE É ??? "

" Não acha que já bebeu mais do que devia? " interrompe o segurança e põe-lhe a mão no braço.

Mas a Esmeralda dá-lhe um safanão e tira qualquer coisa da carteira.

" Para trás ou atiro!" ameaça e Tadeu vê que ela segura uma arma. " Onde é que esta maluca arranjou uma arma? " pensa antes de avançar.

" Mas o que se passa aqui?" pergunta " Esmeralda, baixa essa arma. Ainda magoas alguém!"

" QUERO UMA BEBIDA. Pelos vistos, o teu empregado chique não sabe o que é uma bebida bem servida." acusa a ex-amante.

" Não, não vais beber mais nada!" decide o Tadeu, fazendo sinal ao barman para se afastar.

" Baixa essa arma, Esmeralda.... Não, Gonçalves, não vale a pena chamar a polícia... Pelo menos, para já." acrescenta e aproxima-se da mulher que está com um aspecto terrível.

Precisa de cortar o cabelo, tomar um bom banho e o vestido está rasgado e cheio de nódoas.

" EU DISPARO!" volta a gritar a Esmeralda e Tadeu encolhe os ombros, estendendo a mão.

O impossível acontece e Tadeu surpreende-se quando a bala lhe roça o ombro.

A arma caí ao chão, Esmeralda grita e o segurança aproveita a confusão para a dominar.

" CHAMA A A POLÍCIA! E uma ambulância!" ordena ao barman que se precipita para o telefone.


CONTINUA