sexta-feira, 22 de setembro de 2017

MORTE SUSPEITA


"
MORTE SUSPEITA NOS JARDINS DO BISPO

Esta manhã, os jardineiros ao serviço do bispado depararam-se com um corpo no roseiral.
Trata-se de um homem com cerca de 35, 40 anos que aparentava sinais de espancamento om um objecto ainda não identificado.

Contudo, suspeita-se que seja o Chefe da Equipa de Jardinagem, Jacinto Almeida, mais conhecido por Jacinto Jardineiro.

A polícia está a investigar várias pistas, sendo que o motivo do acontecimento e o facto do corpo ter sido deixado no roseiral está a intrigar as autoridades.

O que foi dito é que Jacinto Jardineiro era um homem afável, trabalhador, mas um pouco solitário.

"

" OH, OH!!!" exclama Letícia, incrédula " O Jacinto... o Jacinto está morto! Oh, Joaquim, o que terá acontecido???" e o Joaquim, que cobiçava o último pedaço de torrada, esquece-a por completo, tal é o espanto.

" O quê??? O Jacinto? O Jacinto que eu conheço... está morto???" pergunta Luis Abençoado ao cão que lhe põe a pata no joelho num gesto solitário.

A primeira reacção do Tadeu Policarpo é " Bem feito!" ainda a lembrar-se da sova que ele lhe deu, mas arrepende-se de imediato.

Coitado, o homem estava magoado com o facto dele, Tadeu, lhe ter roubado a namorada.

" Terá sido a Esmeralda?" pensa.


CONTINUA

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

ABENÇOADO - FIM


A Letícia tem razão.

O Jacinto encontrou o Tadeu e a Esmeralda aos beijos em plena rua em Lisboa e chovem insultos e socos.

Conclusão: O Tadeu e a Esmeralda ficam em Lisboa e o Jacinto, que parece estar mais envergonhado que os " traidores", resolve aceitar o convite do Bispo e fica em Lamego.

Sei disto porque resolvo visitar o pobre rapaz e dar-lhe um pouco de conforto.

Mas, embora pareça estar satisfeito com a minha visita, sinto que quer distância do passado.

Por isso, volto a casa, um pouco desiludido por não o conseguir ajudar.

Mas posso ajudar a Letícia e o Joaquim com a sua loja gourmet.

Empresto-lhes o capital necessário para o fazerem e estão a ter um grande sucesso.

O Joaquim está a acabar o curso de Gestão e Marketing e a Letícia resolveu frequentar um Curso de Culinária, pois o objectivo a longo prazo é abrir um catering.

Pagam-me todos os meses uma quantia para reduzir o valor do empréstimo e estão felizes.

Eu?

Eu estou mais interessado na vida, se bem que, às vezes, lembro-me de tudo o que me aconteceu e bebo demais.


FIM

domingo, 17 de setembro de 2017

ABENÇOADO - PARTE IV


Começo a jantar uma ou duas vez por semana com eles. 

São pessoas bem educadas, simpáticas, com planos para a vida e sinto-me um privilegiado por os partilharem comigo.

Também apareço no escritório com mais frequência e até fecho dois negócios razoáveis.

Claro que quando bebo demais, faço "gazeta", mas isso já não está a acontecer tão frequentemente.

Naquele fim de semana, o Tadeu anuncia os seus planos de viagem. Vai até Lisboa com a Esmeralda; tem uma reunião com um dos seus contactos do " Mundo da Música" como diz e " quem sabe? se não será a grande oportunidade da Esmeralda? "

O Jacinto não está muito satisfeito, nota-se, mas como tem um serviço em Lamego, não os pode acompanhar.

" Isto vai explodir!" confidencia a Letícia no dia seguinte.

" Não quero saber!" afirma o Joaquim " Eles que se entendam... Que se matem uns aos outros, mas que nos deixem em paz!"

" Concordo contigo! Mas não sei quem é mais parvo... Não acredito que o Tadeu tenha contactos no Mundo da Música." repito.

CONTINUA

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

ABENÇOADO - PARTE III


A porta do camarim da Esmeralda é fechado com estrondo e nós escapulimo-nos.

Sento-me no local mais sossegado do bar e pergunto:

" Há quanto tempo dura isto? " e a Letícia suspira antes de confessar: 

" Desde que ela começou a cantar aqui... Ainda por cima, o Tadeu disse-lhe que tem contactos numa editora e lhe pode arranjar uma audição."

" E, tem? " questiono, mas a Letícia abana a cabeça.

" A única coisa que sei é que o Jacinto não gosta da ideia.... Mudando de assunto, quer jantar comigo e com o Joaquim amanhã? No K, por volta das sete da tarde? " convida.

Fico surpreendido com o convite, mas aceito e não sei se é por isso que, no dia seguinte apareço a uma hora escandalosa no escritório.

Onze horas da manhã! Ficam todos a olhar para mim, ainda mais porque peço para ver os novos projectos, dou uma ou duas sugestões e revejo os antigos.

Às sete da tarde, estou já sentado a uma mesa no K, com uma cerveja na mão.

A Letícia e o Joaquim aparecem pouco depois e o jantar é muito agradável.


CONTINUA

terça-feira, 12 de setembro de 2017

ABENÇOADO - PARTE II


O Tadeu até nem é má pessoa, mas ficou parvo quando conheceu a Esmeralda, aspirante a fadista.

Loira, roliça com um ar tão frágil que o Tadeu a quis proteger.  

Por isso, ao regressar de uma visita à casa de banho, tropeço e quase caio se não fosse a Letícia segurar-me.

" O que fazes aqui, rapariga? " pergunto, pois este corredor é interdito ao pessoal do bar durante o espectáculo.

" Shh..." sussurra e puxa-me para um camarim vazio. Apaga as luzes, deixa uma nesga da porta aberta e esperamos.

Tento falar, mas a Letícia pede-me silêncio. E, esperamos os dois, sei lá por quem ou quê.

O Tadeu aparece, vindo do corredor que leva ao escritório, vestiário do pessoal e armazém.

Uns segundos depois, a Esmeralda (a artista da noite) desce as escadas de serviço e ao ver o Tadeu, suspira:

" Ai, meu amor, esperei todo o dia por este momento!" e os dois beijam-se com tal sofreguidão que eu fico assustado.

" O Jacinto vem cá este noite? " indaga o Tadeu.

" Não, tem uns planos para rever. Podemos ficar juntos a noite toda. Disse - lhe que ficava em casa da Letícia." responde Esmeralda.

" Mentirosa!" murmura a minha companheira do crime.

CONTINUA

sábado, 9 de setembro de 2017

ABENÇOADO


Abençoado... Que raio de nome, principalmente porque não me sinto nada abençoado!

Não, não estou a falar de traumas de infância... Foi normal com uns pais atentos, carinhosos, mas que sabiam impor limites.

Tirei o curso que quis; abri a empresa e conheci a Beatriz por quem me apaixonei loucamente e com quem casei. 

E, uma noite, depois de uma noite divertida, perdi o controlo do carro, fui de encontro a uma árvore e a Beatriz teve morte imediata.

Foi depois de sair do hospital que comecei a beber. Mais do que devia... Não o suficiente para ficar bêbado, mas muito alegre.

Tive a sorte de conhecer a Letícia Violeta e o Joaquim Tacanho que tentaram manter-me nos eixos.

A Letícia limpava-me a casa de vez em quando e deixava-me comida feita no frigorífico e o Joaquim Tacanho fez um acordo com um taxista para me levar a casa quando via que eu já não estava em condições de guiar.

Nunca me pediram dinheiro; pelo contrário, sempre o recusaram.

Nada como o Tadeu que tenho a impressão de que, e se a Letícia não estivesse com atenção, cobrava-me o dobro do preço...

CONTINUA

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

TADEU - FIM


Tadeu desmaia e quando acorda, está no Hospital.

Não tem nada partido; por precaução, uma vez que os ligamentos estão doridos, aconselham que mantenha o braço ligado e não faça esforços por uns dias.

E, o que aconteceu a Esmeralda? Pensa enquanto o barman o leva a casa.

" Sabes alguma coisa da maluca que apareceu no bar?" pergunta-lhe.

" O Gonçalves diz que ela enfrenta uma série de acusações: invasão de propriedade, posse de arma de fogo não declarada e ataque a terceiros. O chefe vai ter que falar com a polícia." explica o barman.

Tadeu sobe a escada com esforço. O elevador está em manutenção e, como não tem horários normais, não gosta de fazer barulho e acordar os vizinhos.

" Ah, Esmeralda, Esmeralda, o que faço agora?" sussurra.

Tem que avançar com a queixa; há duas testemunhas que assistiram ao incidente e têm o direito de trabalhar num sítio seguro.

Seria um pouco estranho ele desistir da queixa e talvez seja o que a Esmeralda precise para enfrentar a realidade.

Esmeralda fica com pena suspensa e uma das exigências do acordo é entrar num programa de reabilitação.

Tadeu visita-a e aconselha-a a voltar à profissão de doceira.

" Até podes frequentar workshops e aperfeiçoar o Bolo de Kiev.... Aproveita a oportunidade, Esmeralda; esquece esse sonho maluco de seres fadista."

Mas Esmeralda olha-o desconfiada. Afinal, foi por causa das promessas dele que tudo isto aconteceu.

Por isso, pede-lhe para sair e Tadeu regressa ao bar, derrotado.

Meses depois, sabe que Esmeralda voltou para a terra e reabriu a banca de bolos.

Quem lho diz é o Luis Abençoado que decidiu fazer uma visita aos bares da capital.

E aqui está ele a beber um gin duplo e a contar as novidades.

" Oh, Abençoado, diga-me uma coisa..." pergunta o Tadeu " Abençoado é mesmo o seu nome? "

Mas Luis não lhe responde.  A sua história é apenas sua...

Ele só veio contar as novidades...


FIM

domingo, 3 de setembro de 2017

TADEU - PARTE III


Atravessa o corredor e quando abre a porta de acesso ao bar, ouve a voz da Esmeralda a gritar:

" SERVE-ME UMA BEBIDA, IDIOTA.... BEM SERVIDA, NÃO SABES O QUE É ??? "

" Não acha que já bebeu mais do que devia? " interrompe o segurança e põe-lhe a mão no braço.

Mas a Esmeralda dá-lhe um safanão e tira qualquer coisa da carteira.

" Para trás ou atiro!" ameaça e Tadeu vê que ela segura uma arma. " Onde é que esta maluca arranjou uma arma? " pensa antes de avançar.

" Mas o que se passa aqui?" pergunta " Esmeralda, baixa essa arma. Ainda magoas alguém!"

" QUERO UMA BEBIDA. Pelos vistos, o teu empregado chique não sabe o que é uma bebida bem servida." acusa a ex-amante.

" Não, não vais beber mais nada!" decide o Tadeu, fazendo sinal ao barman para se afastar.

" Baixa essa arma, Esmeralda.... Não, Gonçalves, não vale a pena chamar a polícia... Pelo menos, para já." acrescenta e aproxima-se da mulher que está com um aspecto terrível.

Precisa de cortar o cabelo, tomar um bom banho e o vestido está rasgado e cheio de nódoas.

" EU DISPARO!" volta a gritar a Esmeralda e Tadeu encolhe os ombros, estendendo a mão.

O impossível acontece e Tadeu surpreende-se quando a bala lhe roça o ombro.

A arma caí ao chão, Esmeralda grita e o segurança aproveita a confusão para a dominar.

" CHAMA A A POLÍCIA! E uma ambulância!" ordena ao barman que se precipita para o telefone.


CONTINUA

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

TADEU - PARTE II


De vez em quando, a Esmeralda aparece e pede-lhe dinheiro emprestado.

Desesperado, Tadeu sugere:

" Porque é que não voltas a fazer o teu famoso " Bolo de Kiev" e não o tentas vender numa banca no Mercado? "

" Não, não.... Quero ser fadista!" repete Esmeralda, um pouco embriagada.

Tadeu desiste e empresta-lhe cento e cinquenta euros.

" UNHAS DE FOME! " grita-lhe a ex-amante, mas aceita o dinheiro que o Tadeu sabe que vai desaparecer rapidamente.

Também não compreende porque é que ela insiste naquele sonho maluco de ser fadista.

Pior, porque é que afirma que está a ser um sucesso, se só canta nas tascas mais pobres da zona. 

Talvez os clientes estejam tão embriagados como ela e não prestem atenção à voz medíocre que tem.

Tadeu suspira e concentra-se no trabalho. 

Os últimos clientes já devem ter saído e o segurança e o barman conversam baixinho.

" Horas de ir para casa." pensa e faz logout.

Está já de pé, com o casaco na mão quando se apercebe do silêncio.

As máquinas deviam estar a funcionar; o barman devia estar no vestiário e regra geral, o segurança bate-lhe à porta para lhe dizer que está tudo fechado.


CONTINUA




terça-feira, 29 de agosto de 2017

TADEU



Tadeu Policarpo é um homem infeliz...

Amaldiçoa Esmeralda e o dia em que a conheceu.

Um simples affair torna-se num pesadelo e obriga-o a mudar de vida...

E, tudo porque a Esmeralda quer ser uma fadista de renome... Fez promessas que não devia; afinal, tudo o que queria era passar um bom momento.

Mas o pior até não foi isso... Foi o incidente com o Jacinto Jardineiro, o namorado pacato que ela enganava vergonhosamente.

Depois daquele murro em plena rua, Tadeu não quis voltar e a Esmeralda, deslumbrada com a proposta para cantar o fado numa tasca chique, também ficou.

Por isso, ali está ele a explorar um bar pequeno numa zona "in" de Lisboa.

Os clientes são diferentes, mais exigentes, mas Tadeu actualizou-se e conseguiu uma certa projecção.

A pedra no sapato continua a ser Esmeralda, embora já estejam separados....


CONTINUA

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

O CABARET - O FINAL


Jacinto abre a boca para o chamar, mas o Tadeu apressa o passo e não o ouve. 

Ou finge que não ouve, pensa o jardineiro atravessando a rua, sem se preocupar com o transito.

Chega ao fim da rua e pensa que o perdeu, mas ouve uma risada conhecida e olha em volta.

Vê-os então abraçados.  Esmeralda - valha-me Deus, o que é que fez ao cabelo? E o que tem vestido? - e Tadeu aos beijos em plena rua.

Jacinto fica cego e desata a correr em direcção aos amantes felizes.

Dá-lhes um encontrão e a Esmeralda caí. Tadeu consegue manter-se em pé e pergunta-lhe:

" Oh, pá, o que se passa contigo? " Mas Jacinto responde-lhe com um murro no nariz.

Esmeralda já está de pé e grita-lhe: " Ordinário! Imbecil!" e levanta a mão.

Jacinto prende-a na sua, aproxima o rosto do dela e diz-lhe: " Ordinária és tu!!! Fadista uma ova!" e dá-lhe uma bofetada de tal maneira forte que Esmeralda volta a cair.

Alguém grita, Tadeu levanta-se com esforço e Jacinto foge.  Não porque tenha medo da polícia, mas porque quer distância daqueles dois.

" Ordinários os dois"  pensa " Nunca mais vou acreditar numa mulher!" jura já no comboio a caminho de Lamego.

No Cabaret, Joaquim e Letícia discutem os últimos detalhes com Luis Abençoado para abrirem a loja gourmet.

" Quando o Tadeu regressar, demitimo-nos!" decidem, felizes e o Luis Abençoado pede outro brandy para brindar.

Mas o Tadeu não regressa nem a Esmeralda. 

Ficam em Lisboa, Esmeralda a cantar em restaurantes de bairro, convencida de que será uma fadista famosa e o Tadeu abriu um pequeno bar.

Quanto ao Jacinto, decide ficar em Lamego e acaba por aceitar trabalhar em exclusivo nos jardins do bispo.

Nem o Joaquim Tacanho nem a Letícia Violeta o voltam a ver. 

O Luis Abençoado ainda o visita em Lamego, mas, se bem que o goste de ver, o Jacinto não lhe explica o porquê da decisão.


FIM



Estarei ausente entre 25 e 29 de Agosto. 

Até lá, boas férias.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

O CABARET - PARTE VI


Entretanto, em Lisboa, o Tadeu e a Esmeralda estão completamente loucos...

Passam o dia fechados no quarto e à noite, saem para visitarem os locais onde se canta o fado.

" O que fazemos se o Jacinto telefonar e perguntar como vão as coisas? " pergunta a Esmeralda ao regressarem ao Hotel uma noite.

" Diz-lhe que tens que ficar mais uns dias... Tens que gravar um video de apresentação..." e Tadeu cala-a com um beijo profundo.

Em Lamego, Jacinto está cansado, mas não consegue dormir.  Não tem notícias da Esmeralda; só uns SMS a dizerem que está muito ocupada.

A única vez que lhe telefonou, disse que ia sair, que tinha uma entrevista e que dava notícias logo que pudesse.

Até hoje... Jacinto não sabe se a entrevista correu bem, se já voltou a casa...

" Amanhã vou até Lisboa." decide e assim faz. Deixa instruções claras aos rapazes, despede-se do secretário do bispo e a meio da tarde está em Lisboa.

Lisboa é enorme, está cheia de gente, mas ele lá consegue descobrir o Hotel onde supostamente a Esmeralda está.

Fica surpreendido quando lhe dizem que não têm ninguém com aquele nome nos registros.

" E Tadeu Policarpo? " mas o recepcionista abana a cabeça.

Jacinto não sabe o que pensar e saí para a rua. Talvez a Letícia saiba alguma coisa e e está já com o telemóvel na mão quando olha para o outro lado da rua e vê o Tadeu Policarpo.


CONTINUA

domingo, 20 de agosto de 2017

O CABARET - PARTE V


Joaquim Tacanho ri-se e oferece-lhe um banco.

" Sente-se aqui.  Como se sente hoje?" 

" Bem.... Então, isto é que é a banca da Esmeralda? Mas eu pensava que ela só vendia o famoso Bolo de Kiev!? " comenta, curioso, o Luis ao reparar nas miniaturas e nos cupcakes.

" Quando ela está..." explica Letícia " Quando estou eu, trago sempre umas surpresas e os clientes gostam! Sim, porque sou tão boa doceira como a Esmeralda!" concluí risonha.

" Ou melhor!" acrescenta o Tacanho " Os clientes já sabem os dias em que ela está cá e fazem-lhe encomendas. Ela é tão honesta que deixa uma percentagem do que ganha à Esmeralda."

" Ah, ah..." ri o Luis " E a Esmeralda sabe?... Não??? Pois, está tão doida com o sonho em ser fadista e com o Tadeu!!!" e continua a rir.

Aparecem os primeiros clientes e há tanto que fazer que o Luis fica com a cabeça à roda.

Escapa-se para beber uma "ginginha" na banca ao lado e quando regressa, Letícia e Joaquim estão exaustos.

Mas o negócio correu bem, pois a banca está vazia.

" Ups" diz o Luis " Isto é que foi vender... Diz-me cá, Letícia, mas porque não abres tu uma banca e deixas o Cabaret? " pergunta curioso.

" Temos que trabalhar lá para juntar dinheiro suficiente para isso!" esclarece o Joaquim " Estou a acabar o curso de Marketing, a Letícia tem participado em workshops sempre que pode..."

" Mas porque não falaram comigo? Eu empresto-vos o dinheiro!!!" interrompe Luis.


CONTINUA

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

O CABARET - PARTE IV


Jacinto e os rapazes partem no domingo à noite para Lamego e Esmeralda segue na manhã seguinte de comboio para Lisboa.

Nem uma hora depois da partida, já está o Tadeu a bater à porta e a Esmeralda abre-a de imediato, envolta num kimono tão transparente que nem conseguem chegar ao quarto.

Nesse entretanto, a Letícia Violeta prepara os doces para expor na banca da Esmeralda.

Além do famoso bolo de Kiev, a Letícia, que é uma doceira tão boa ou melhor que a Esmeralda, resolve fazer uns queques miniatura de cenoura e uns cupcakes de café.

Com a ajuda do Joaquim Tacanho, monta a banca com arte e aguardam os primeiros fregueses.

Fiel à sua promessa, Luis Abençoado aparece e fita a Letícia boquiaberto.

Ninguém diria que a Letícia era assim tão elegante.  O vestido simples de linho assenta-lhe bem e escolheu o vermelho vivo para os acessórios.

Se está maquilhada é uma coisa tão leve que Luis fica na dúvida.

" Oh, rapariga, mas tu és UM ESPANTO!" grita " Nunca devias trabalhar naquele Cabaret... mas sim à luz do dia...."

CONTINUA

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

O CABARET - PARTE III


" Que falta de respeito!" queixa-se o Luís " Mas estás perdoada se me trouxeres mais um copo!"

Esmeralda acaba de cantar e senta-se no bar ao lado deles.  Beija apaixonadamente o Jacinto, mas coloca disfarçadamente a mão na coxa do Tadeu.

Letícia abre novamente a boca, mas o Joaquim Tacanho, o segurança que chega nesse momento, dá-lhe um abraço de urso.

" Ai, para que me estás a magoar!" refila a rapariga " És mesmo bruto, pá! Qual é a tua? "

" Impedir-te de dizeres o que não deves!" sussurra o Tacanho e, batendo amigavelmente no ombro do Luis Abençoado, recomenda:

" Está na hora de ir para casa, Abençoado. Venha comigo que eu chamo-lhe um táxi." e leva-o.

Tadeu, Esmeralda e Jacinto ficam sozinhos no bar. Jacinto ainda acha que a viagem a Lisboa é uma estupidez, mas Esmeralda faz tanta questão que não se opõe.

Combinam ir na semana seguinte.


CONTINUA    

sábado, 12 de agosto de 2017

O CABARET - PARTE II


" Não sei se isso vai ser possível." diz pausadamente o Jacinto " A banca dos bolos está a ter sucesso e que ela cante aqui aos sábados à noite para ganhar uns dinheiros extra... até concordo. Mas largar tudo assim só porque sonhou ser fadista, não!" afirma " E, depois eu e os rapazes temos que passar uns dias em Lamego, a preparar o jardim do bispo e ela não vai sozinha!"

" Vai comigo!" atalha o Tadeu, enquanto Letícia Violeta abre a boca de espanto.  Luis Abençoado apressa-se a pedir um outro copo: " Duplo!" acrescenta, não vá a rapariga dizer o que se passa no camarim da Esmeralda todas as vezes que o Jacinto se ausenta.

" Pois, mas acho que devo estar presente. A Esmeralda é muito ingénua, muito sonhadora..." replica Jacinto e Letícia Violeta tem que morder os lábios para não lhe dizer que a Esmeralda é tudo menos ingénua.

" Olha, a Letícia Violeta pode ir connosco!" sugere o Tadeu, mas aquela abana a cabeça veementemente.

" Não, não. Prometi à Esmeralda que a substituía na banca dos bolos." responde.

" E, eu faço-lhe companhia!"  quase grita o Luis Abençoado.

" Oh, Sr Luis, será que sobrevive sem os copos? " brinca a Letícia.


CONTINUA

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

O CABARET


Lista de Personagens

Jacinto Jardineiro - Chefe do Grupo " Os Mateus", especialistas na poda de árvores exóticas

Esmeralda Pasteleira - Famosa pelo fabrico do "Bolo de Kiev", feito de canela e chocolate com recheio a uva e aspirante a fadista

Tadeu Policarpo - Agente musical e dono do Cabaret " O Inglês"

Letícia Violeta - Empregada de bar no Cabaret

Luis Abençoado - O cliente bêbado que passa as noites a lamentar-se no Cabaret 

Joaquim Tacanho - Segurança no Cabaret

" Diz-me cá, oh Jacinto..." pergunta, certa noite, o Luis Abençoado " Sempre vais casar com ela? " e aponta para o palco, onde Esmeralda, com um vestido preto muito justo e que lhe fica muito mal, está a cantar.

PUM... e os dois sobressaltam-se com o barulho. Letícia Violeta deixou cair um tabuleiro cheio de copos sujos que se apressa a limpar.

Infelizmente, o Tadeu está a sair do escritório e grita-lhe: " Outra vez??? Vou descontar-te no ordenado, desgraçada:" e a empregada acaba de limpar, muito vermelha e foge já em lágrimas.

" Oh, Tadeu, podias ser mais humano!" sugere Luis e puxa de um maço de notas. Escolhe duas de vinte euros e diz:

" Isto é para cobrir o prejuízo. Não descontes isso à rapariga que ganha tão mal. Não lhe podias aumentar o ordenado?" 

Tadeu guarda os quarenta euros e abana a cabeça:

" Não, agora não posso. Quero lançar a Esmeralda... Quero que ela seja uma estrela!" concluí.


CONTINUA

domingo, 6 de agosto de 2017

A EDITORA - FIM



Este prende-lhe o braço e Jaime sacode-o.

" Ok, Rainha de Gelo, sei quando estou a mais... Não te preocupes; eu saio... Só queria ver a tua cara..."

" Já viste!" interrompe Carolina " E, sim, estou a sobreviver muito bem sem ti.... Adeus, Jaime."

Jaime ergue as mãos num gesto sarcástico e segue o segurança. 

Carolina volta-se para os convidados e pede desculpa pelo comportamento do ex-companheiro, mas isso já deixou de ser importante, até porque os repórteres já saíram. 

Não afectará o livro e Carolina resolve festejar, indo passando umas pequenas férias numa localidade onde vai centrar a acção do próximo livro.

Aurora não está muito convencida, mas o livro está a vender tão bem que concede.

Por aqui, nesta vila tranquila, Carolina está feliz com o rumo que a vida está a tomar.

Quanto a Jaime, Leonardo convence-o a reescrever o livro e no lançamento, ele aparece estar mais calmo.

Se é para durar, ninguém sabe....

Mas é uma outra história....

FIM


sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A EDITORA - PARTE VII


O lançamento do livro é esta noite e Carolina tem ainda muita coisa para fazer.

Marcou hora no cabeleireiro e comprou um vestido novo. Aproveitou para fazer uma arrumação no roupeiro e deu a maior parte das coisas a uma instituição.

Hoje é o começo de uma nova era - uma era sem estar à sombra do Jaime. Hora de se impor e ser reconhecida pelo seu talento.

Aurora garante que o livro vai ser um sucesso.

" Bem escrito, bem pensado, prende a atenção e estes pequenos pormenores como o hobby dele.... " e continua a fazer planos e a sugerir uma sequela.

Carolina não tem a certeza disso... A personagem do detective Jerônimo vai continuar, mas desta vez, porque não escrever um diário de viagens? Passar as férias num sítio calmo e ser confrontado com um crime macabro?

Enfim, abrir caminho a um novo estilo de livro policial.

Mas esta noite o que importa é o lançamento. 

É um sucesso, tal como a Aurora previu... Carolina até já tem a mão dormente de tantos autógrafos. 

A última pessoa já tinha saído quando alguém força a entrada. O segurança ainda tenta impedi-lo, mas Jaime está fora de si e empurra-o para um lado.

Vai directo a Carolina e diz-lhe com sarcasmo:

" Então, Rainha de Gelo, como é que sobrevives sem mim? "

Todos os presentes, Aurora, o Director de Marketing da Livraria, os funcionários e até o próprio segurança, olham-no surpreendidos e Carolina quase que os ouve pensar:

" Mas quem é este? "

Não, decide Carolina, não vais estragar o meu dia e faz sinal ao segurança.

       
CONTINUA

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A EDITORA - PARTE V


" Pois..." suspira enquanto Leonardo volta a encher o copo.

" Não sei mesmo o que fazer... " continua o editor, mas Carolina não lhe está a prestar atenção.

Talvez Giovanni possa ajudar... 

Conheceram-no há uns anos numa viagem a Itália, passaram uns dias juntos em Milão e tanto quanto Carolina sabe, ainda vive em Roma.

Não se lembra se trabalha para o Governo ou outra entidade pública e se o número de telefone ainda é válido.

Mas podem tentar e é exactamente isso que diz a Leonardo.

" Achas que pode resultar?" pergunta o editor.

" Espero que sim. Que grande confusão! Falo com o Giovanni ainda hoje e depois digo-te alguma coisa, ok?" e despede-se, pois tem uma tarde complicada.

Tem uma nova reunião com a editora para conhecer o pessoal que se encarregará do design da capa.

Por isso, só liga no dia seguinte ao Giovanni que se prontifica de imediato a procurar o Jaime.

Por sorte, este não saiu da zona de Roma e Giovanni encontra-o numa pensão modesta nos subúrbios.

Leonardo parte de imediato para lá, mas Carolina nem sequer considera a ideia. 


CONTINUA

segunda-feira, 31 de julho de 2017

A EDITORA - PARTE IV


Leonardo está muito agitado e parece que envelheceu dez anos. Quando Carolina brinca com isso, ele suspira e diz:

" É o Jaime. Está completamente louco ou sou eu. Aquele livro sobre a paixão do Detective Latitude com a stripper foi uma autêntica bomba; ninguém estava à espera de um romance tão sensual. Foi inteligente, um golpe de génio. Mas este novo livro...." e volta a suspirar.

" O que se passa com este livro? Tenho estado a preparar o meu próprio livro; e, depois,  não estou muito interessada nos assuntos do Jaime...." confessa Carolina " Mas, vejo que estás preocupado; conta lá, veremos se te posso ajudar..." 

" Aquilo que li assustou-me... É altamente pornográfico... não há crime; há apenas o Detective Latitude e a stripper... Quando lhe perguntei se não seria melhor reescrever certas partes, ele apenas riu e disse-me que não. Pedi-lhe, então, que me devolvesse o adiantamento, pois pornografia não faz parte da política da editora e não posso publicar o livro..." interrompe-se e bebe mais um gole de vinho.

" E? Já o gastou? " ajuda Carolina e Leonardo acena que sim.

" Com a stripper que fugiu, entretanto para Itália. Onde ele está neste momento à procura dela." quase grita Leonardo " Tenho a direcção da editora a berrar, a perguntar-me pelo livro e um autor louco, que não atende o telemóvel. O que é que eu faço? "

Carolina está chocada e não sabe verdadeiramente o que pensar, o que sugerir.


CONTINUA

domingo, 30 de julho de 2017

A EDITORA - PARTE III


Depois de discutidos todos os detalhes para o contrato, Carolina despede-se de Aurora e saí.

Resolve almoçar numa das esplanadas à beira rio e nem sequer se preocupa com um possível encontro com Leonardo ou Jaime.

Esta é a sua oportunidade e ela vai aproveitá-la ao máximo. Quem sabe, se o livro for um sucesso, poderá continuar com a personagem e desenvolver a história nos loucos anos 20.

Por isso, passa os meses seguintes a ler livros e jornais, a ver filmes, documentários sobre a época.

Em breve, o detective começa a tomar forma e apresenta-se como um homem amante de poesia, de bom vinho e de orquídeas com quem fala todas as noites.

Aliás, é através das conversas com as orquídeas que Carolina dá a conhecer a visão dele sobre o Mundo, sobre o crime, sobre os acontecimentos políticos e sociais.

Chamou-lhe Jerônimo e Aurora adora os primeiros capítulos.

Assegura-lhe que vai ser um sucesso estrondoso.

Carolina também espera que seja.  

Entretanto, sabe que o novo livro de Jaime está envolvido numa polémica e aceita o convite desesperado de Leonardo para almoço.

CONTINUA


quinta-feira, 27 de julho de 2017

A EDITORA - PARTE II


Segundo a pesquisa que fez, Carolina sabe que a editora publica essencialmente crónicas e diários de viagens, biografias, ficção científica e histórica.

Promove anualmente um concurso para jovens autores e está bem conceituada no meio.

Nada relacionado com crime, mas talvez queiram mudar isso. 

Caso contrário, porque é que a contactaram? De qualquer modo, a proposta terá que ser interessante para a considerar, se bem que ainda não tenha qualquer plano definido.

E, com um sorriso, Carolina apresenta-se à Directora Criativa da Editora, certa de que vai sair dali com as mãos a abanar.

Mas a proposta em discussão é deveras interessante. Querem que escreva o diário de um detective.

" O que ele sente, o que pensa em relação ao crime, às transformações do Mundo... " explica Aurora Caetano. " Escolha uma época - os anos 20 do Século XX, por exemplo - e centre a acção aí."

" Os hábitos sociais e económicos, a forma de investigação, as opiniões políticas?" sugere Carolina.

" Exactamente! Sei que implica um grande trabalho de pesquisa, mas isso não lhe é estranho, pois não?" e, sem esperar resposta, continua " Temos bons arquivos aqui na editora, bons contactos na biblioteca municipal e em vários jornais..."

Carolina volta a sorrir....

Ah, sim, está interessada.  Muito interessada...


CONTINUA