sexta-feira, 17 de novembro de 2017

CONFUSÃO - PARTE IV


Mas o Paulo não apareceu nessa noite...

Felizmente, o Leonardo sabia a password do cofre e pudemos tirar dinheiro.

Ficamos um pouco surpreendidos por ver que o Paulo não tinha depositado o "caixa" do dia anterior.

" Eh, pá, vamos ter que esperar até às oito e meia e depositamos tudo." pediu-me o Leonardo.

" Não será melhor telefonarmos? Ele pode estar só atrasado..." sugeri e o Leonardo fez a chamada do fixo.

" Boa noite, posso falar com o Paulo? É do bar, o Leonardo." disse polidamente.

Quem respondeu também não sabia do Paulo e aconselhou-nos a contactarmos o outro sócio do Paulo.

" Mas esse não está em Londres? " comentei e o Leonardo, tão baralhado como eu, acenou que sim.

Tivemos que vasculhar a secretária do Paulo, mas lá se encontrou o número de telefone do sócio, de quem pouco ou nada sabíamos.

CONTINUA

  

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

A CONFUSÃO . PARTE III


Fui petiscar qualquer coisa com o Leonardo antes de apanhar o Metro.

Quando cheguei a casa, adormeci de imediato e acordei por volta das três da tarde, porque o elevador avariou e o sinal de alarme disparou.

Fiquei mais uns minutos na cama, a pensar na vida. A pensar se devia ou não continuar a trabalhar à noite.

Mas a noite é fascinante e não me adaptaria ao ritmo do dia. Talvez pudesse abrir o meu próprio bar ou uma empresa de segurança.

Tinha que pensar nisso a sério, mas entretanto, o Leonardo telefonou-me e desafiou-me para uma corrida.

Quando regressei, já passava das sete e tive que me apressar, pois ia jantar com a minha Mãe.

Não notei nada de anormal no bar ao picar o ponto às dez. Não estava cheio, ainda era cedo e por isso, resolvi ir até à cozinha.

O Leonardo fez-me sinal de imediato e saímos para o corredor.

" O que foi? " perguntei.

" Sabes, aquele individuo? Aquele que o Paulo foi levar a casa? " e continuou, quando acenei que sim " Apareceu morto na Avenida X!" 

" Morto? Na Avenida X? " repeti, surpreendido porque a dita Avenida era perto do bar. 

"Como? Uma hemorragia interna? Bem disse ao Paulo que o devia levar ao Hospital, mas ele não quis." comentei, enquanto o Leonardo acendia mais um cigarro.

" Andam à procura do Paulo. Ao que parece, o tal indivíduo tinha um cartão do bar no bolso." explicou o barman.

" Andam? Como é que sabes tudo isso? " observei e o Leonardo fez uma careta.

" Conheces a Arlette? Aquela loira que trabalha na loja da Aurora? Assistiu a tudo e contou-me." 

Como a Arlette era uma exagerada e tinha uma relação de amor/ódio com o Leonardo... fiquei, como se costuma dizer, de pé atrás.



CONTINUA

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

CONFUSÃO - PARTE II


Avaliei a cena rapidamente e houve qualquer coisa que não estava bem.

Talvez tenham sido as risadas abafadas dos assistentes ou a expressão irônica da mulher em questão.

Como quem diz: " Oh, por favor, estamos no século passado? O homem está apenas bêbado."

Ajudei-o a levantar e ouvi o gerente dizer:

" Leva-o para o meu gabinete. " e abriu a porta de acesso à parte privada do bar.

" Não será melhor chamar o 112? Deve ter o nariz partido." sugeri, mas o gerente abanou a cabeça.

" Não te preocupes! Deita-o aí no sofá para acalmar um pouco e eu levo-o a casa. Volta para o teu posto!" ordenou.

No bar, já ninguém falava do incidente e o ambiente era festivo.

Voltei ao meu posto à porta, mas estava tudo sossegado.  

Na pausa, fui até à cozinha comer qualquer coisa e beber uma Coca Cola e perguntei se sabiam alguma coisa sobre o individuo e um dos barmen respondeu-me que já devia estar em casa, pois tinha visto o gerente sair com ele.

" E, como é que ele estava?" e o Leonardo deu uma risada: " Bêbado. O Paulo teve que o amparar até ao carro."

Encolhi os ombros e avisei o pessoal de que estava na hora de fechar.

O protesto foi geral, mas não vacilei.

CONTINUA


sexta-feira, 10 de novembro de 2017

A CONFUSÃO


Eu já sabia que isto ia correr mal...

O tipo estava completamente embriagado e só queria armar confusão. Tentei impedir que entrasse, mas ele olhou para mim de alto e disse:

" Sabes quem eu sou? Sou amigo do gerente e posso fazer-te a vida negra..." e, nem de propósito, o gerente apareceu à porta nesse momento e deu entrada livre ao sujeito que me fez um gesto feio.

Estou habituado a gestos feios; fazem parte da vida que levo como segurança e não foi isso verdadeiramente que me aborreceu.

Foi ter aquele pressentimento de que a entrada daquele tipo ia complicar a noite.

E complicou... Há pessoas que não gostam de ser humilhadas, agredidas verbal e fisicamente.

Por isso, quando me chamaram, o tipo estava no chão com o nariz partido, copos e garrafas espalhados pelo chão e dois indivíduos seguravam um outro que gritava:

" DEIXA A MINHA NAMORADA EM PAZ! ACHAS QUE TE PODES METER COM AS MULHERES DOS OUTROS?"

CONTINUA


segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O DESAPARECIMENTO - O FIM


O que decidi depois... não foi justo para ninguém...

Mas tinha que o fazer e o primeiro passo foi contar toda a verdade ao meu marido.

Ele fica boquiaberto, olha-me como se não me conhecesse e, sem dizer palavras, saí de casa.

Engulo em seco; não o posso criticar... Marco a viagem, peço uma licença no trabalho e depois, tento explicar aos meus filhos.

Não consigo... O meu marido, que entra nesse momento, aconselha-me simplesmente a partir.

" Mas...." começo, mas ele interrompe-me suavemente:  

" Dá-nos tempo... Há muita coisa a sentir, a dizer... Depois, falamos contigo." e eu saio.

Não sei o que sinto... Será que vão compreender, perdoar-me?... 

E, a minha irmã? Vai compreender, aceitar as minhas razões para desaparecer assim?

Quando abre a porta da casa dos nossos Pais, olha-me como se eu fosse um fantasma.

" OH, LÍDIA!" e agarra-me fortemente. Para ter a certeza de que sou de carne e osso....

Depois recua e eu sorrio. A bofetada é forte, certeira, mas eu não me atrevo a protestar.

Mereci-a... Talvez as coisas fossem diferentes se tivesse aparecido há mais tempo.

Espero que não seja tarde.  Entro em casa e fecho a porta silenciosamente.

FIM

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

O DESAPARECIMENTO - PARTE III


Através do Facebook, soube que o meu namorado tentou reconstruir os meus passos, encontrou o motorista de táxi, mas este apenas confirmou o que já tinha dito.

Um ano ou dois anos depois, o meu namorado desistiu de me procurar, conheceu outra pessoa e casou-se.

A minha irmã não queria desistir, talvez porque a minha Mãe nunca perdeu a esperança, mas um dia, cansou-se. 

Estava esgotada, física e emocionalmente.

E eu? Nunca me arrependi até hoje quando li no jornal português que assino que a minha Mãe tinha morrido.

Ligo o PC, procuro a página do Face da minha irmã e lá estão várias mensagens de condolências e um breve post de agradecimento.

Fico parada no meio da sala e olho para a praia, sem a ver realmente.

O que é que eu fiz? 

Anos " desaparecida", sem dar notícias e a minha Mãe morreu, sem saber se estou viva ou morta.

A culpa desce na minha cabeça e desato num choro intenso.

CONTINUA   

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

O DESAPARECIMENTO - PARTE II


Claro que elaborei um plano e segui-o à risca.

Sondei os meus contactos e através deles, conheci outras pessoas que me ajudaram a preparar a minha fuga.

Escolhi Agosto para ter uma desculpa plausível e na data prevista de regresso, não apanhei o avião.

A minha irmã estava no Aeroporto, à minha espera e quando não apareci, contactou a polícia, a companhia aérea, a agência de viagens, o hotel.

A informação foi unânime:  paguei um bilhete de ida e volta, estive hospedada naquele hotel a semana inteira e apanhei um táxi para o aeroporto.

O que aconteceu entre o hotel e o aeroporto... ninguém sabe. 

Sei eu...

Apanhei um outro voo para um outro País, mudei de nome e de aparência.

Se sou mais feliz?... Não sei... Apenas controlo a minha vida doutra maneira.

CONTINUA